Partido Da Terra

Projeto da Segunda Circular “foi feito em cima do joelho” e “tem riscos”

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O presidente do Partido da Terra criticou o projeto para a requalificação da Segunda Circular, em Lisboa. "Foi feito em cima do joelho" e "tem riscos para a segurança das pessoas".

LUSA

O presidente do Partido da Terra (MPT) criticou nesta segunda-feira o projeto para a requalificação da Segunda Circular, em Lisboa, por considerar que “foi feito em cima do joelho” e “tem riscos para a segurança das pessoas”. “Trata-se de um mero Photoshop, mas que na prática não é exequível porque traz alguns riscos para a segurança das pessoas”, disse José Inácio Faria.

O responsável dava a conhecer aos jornalistas a posição do MPT acerca do projeto da Segunda Circular, que tomou depois de ouvir entidades como o Automóvel Club de Portugal, o Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves, o Laboratório Nacional de Engenharia Civil, a Associação de Pilotos Portugueses de Linha Aérea e a Autoridade Nacional da Aviação Civil.

O também eurodeputado considera que o projeto não foi “ponderado o suficiente”, que “pouco ou nenhuns estudos foram feitos” e que o plano carece de “sustentabilidade técnica”.

Para José Inácio Faria, o estreitamento das vias “vai trazer engarrafamentos brutais” à Segunda Circular e os automobilistas não têm alternativas porque a CRIL (Circular Regional Interior de Lisboa, o Eixo Norte-Sul e a CREL (Circular Regional Exterior de Lisboa) “não são alternativa” porque também estão congestionadas.

Lamentando que a câmara não tenha ouvido os lisboetas, nem técnicos e que não haja estudos de impacto ambiental, o presidente do MPT (partido com um assento na assembleia municipal) defendeu ainda que as oito mil árvores que a autarquia pretende colocar (no separador central e na envolvente) não serão as mais corretas porque são de “folha caduca”, logo propícias a tornar o piso mais escorregadio.

“Além disso, vai implicar que traga também fauna e as aves perto do aeroporto trazem problemas acrescidos”, acrescentou, corroborando alertas já feitos por organismos do setor da aviação.

Referindo-se às entidades com quem teve reuniões, disse que a tónica de todas “foi a segurança, tanto para automóveis como para aviões”, bem como o facto de “não terem sido ouvidas”. “Não consigo compreender como numa intervenção destas, numa das artérias principais de Lisboa de ligação com o norte e a zona oeste, estas entidades não foram ouvidas”, frisou.

O líder do MPT fez saber que vai apresentar duas questões aos comissários europeus do Ambiente e dos Transportes acerca desta matéria e assegurou que vai envidar todos os esforços para que este tipo de projetos tenha uma outra abertura e outro procedimento, mais junto das populações.

“Não percebo como é que o presidente se propõe a tomar uma decisão destas sem ouvir as pessoas e sem sequer ter em consideração a posição da sociedade e dos especialistas”, afirmou, acrescentando que se está “numa sociedade democrática e as forças democráticas da sociedade têm de ser ouvidas”.

Afirmando que este projeto foi “feito em cima do joelho”, o presidente do MPT disse esperar que o presidente da câmara, Fernando Medina (PS), tenha “o bom senso de voltar atrás e fazer as coisas como deve de ser”.

Até 29 de janeiro, está em consulta pública o projeto da maioria socialista no executivo, que visa diminuir o tráfego de atravessamento na Segunda Circular através da reformulação de alguns acessos e dos nós de acesso ao IC19 (itinerário complementar) e à A1 (autoestrada), encaminhando o trânsito para a CRIL.

Prevê-se a redução da largura das vias, a montagem de barreiras acústicas, a reabilitação da drenagem e do piso, a renovação da iluminação pública e da sinalética e a diminuição da velocidade, de 80 para 60 quilómetros/hora. Estima-se que as obras custem perto de 12 milhões de euros (já contando com o Imposto sobre o Valor Acrescentado — IVA) e que se iniciem no primeiro semestre deste ano, tendo a duração de 11 meses.

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