O presidente do CDS-PP, Paulo Portas, alertou neste domingo que o acordo para a alteração de contrato com a TAP promovido pelo Governo é “um convite à discórdia” e vai implicar “um encargo superior” para o país. “Um acordo 50/50 numa empresa é um convite à discórdia. Se houver estratégias diferentes, há um risco de impasse. Porque é que os privados terão aceitado? Parece-me evidente”, é “porque o Estado vai por dinheiro que antes não punha”, disse.

Segundo o líder centrista, que falava em Évora, numa cerimónia de tomada de posse de várias concelhias do partido no distrito, o problema é que o Estado “não é dono do seu dinheiro”, pois este “é dos contribuintes”. Por isso, esta alteração do contrato da TAP, promovida pelo Governo liderado por António Costa, significa “um encargo superior” para o Estado e para os contribuintes.

“Ao nível da dívida, de um eventual aumento de capital e dos investimentos necessários, o Estado foi para uma solução significativamente mais cara”, frisou. Portanto, continuou, “do ponto de vista do contribuinte”, vai ser necessário “esperar um tempo, até ver a renegociação financeira”, para saber “quanto é que vai custar mais uma opção ideológica” deste Governo.

Isto quando, neste processo, no tempo do anterior Governo PSD/CDS-PP, o país já “tinha encontrado uma solução para a sua magnífica companhia aérea, era um grupo lusófono com base no Brasil e parceiro em Portugal que tinha interesse em crescer para a Europa”. “Tínhamos evitado aquelas hipóteses, que essas sim prejudicavam Portugal, de alguém que quisesse tirar os voos dos aeroportos portugueses para os transferir para outros aeroportos portugueses”, disse.

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Com esta alteração do contrato, “o encargo será superior e, quando se começam a repetir todos os casos de encargos superiores”, em que “todos juntos fazem uma conta, se a conta não fechar, isso torna-se muito problemático do ponto de vista do país”, alertou o presidente do CDS-PP.

O Governo de António Costa vai pagar 1,9 milhões de euros para o Estado ficar com 50% da TAP (em vez de 34%), resultado das negociações com o consórcio Gateway, que tinha 61% do capital da companhia e que agora fica com 45%, podendo chegar aos 50%, com a aquisição do capital à disposição dos trabalhadores.