Domingos Abrantes, membro do Comité Central comunista e membro escolhido pelo PCP para o Conselho de Estado, disse em entrevista à Antena 1 que a “posição conjunta” com os socialistas foi “uma fórmula criativa” encontrada pelos comunistas e que “ninguém questiona” a decisão assumida em outubro. Antes do entendimento, apesar de várias vezes PS e PCP terem somado possíveis maiorias teóricas, as “opções do Partido Socialista foram sempre, sempre pela direita”. Agora o entendimento foi possível porque “o PS só não formava Governo se não quisesse” e na opinião do histórico comunista, se o “PS se aliar à direita, não tem grande futuro, ao contrário do que possa pensar”.

Questionado sobre se o congresso do PCP agendado para dezembro vai colocar em perigo a posição acordada com o PS, Domingos Abrantes considerou que não, mas que vai servir para “avaliar os benefícios e eventuais prejuízos” da posição conjunta com os socialistas e não para a “reavaliar”

“Nós não somos contra austeridade, somos contra certo tipo de austeridade”, explicou o conselheiro de Estado. “A mim não me repugna nada que a austeridade seja contra consumos parasitários e consumos obscenos”, clarificou.

Na reunião magna dos comunistas o que também estará em avaliação é a continuação, ou não, de Jerónimo de Sousa como secretário-geral. “Acho que se impôs, como autoridade própria e por mérito próprio”, disse o conselheiro de Estado sobre o atual líder comunista, que faz um balanço “altamente positivo” do desempenho do secretário-geral. Por isso, Jerónimo deve continuar, “se achar que tem condições anímicas” porque “tem condições políticas, isso é uma evidência”.

Para Domingos Abrantes, a continuação de Jerónimo de Sousa como secretário-geral não impede que o partido se renove, porque “a renovação não se faz só pelo secretário-geral.”

O histórico comunista considera que “já lá vai o tempo em que se dizia que o partido era só uma cambada de velhos“.