Eleições Espanha 2015

PP pisca o olho ao PSOE: “Não nos preocuparia nada que Sánchez fosse vice”

Pressentindo que o PSOE e o Podemos não vão conseguir entender-se, o partido de Rajoy volta a insistir num governo de bloco central alargado. Mas Sánchez está mais inclinado para o Ciudadanos.

Com o partido acossado por escândalos de corrupção, Mariano Rajoy tem conseguido sobreviver - e continua a lutar por mais um mandato governamental

GERARD JULIEN/AFP/Getty Images

O Partido Popular espanhol ofereceu esta quinta-feira um lugar de vice-presidente do governo ao líder socialista, Pedro Sánchez, e ao dirigente do Ciudadanos, Albert Rivera. É mais uma tentativa de desbloquear o impasse político em que Espanha se encontra há quase dois meses e surge num momento em que o secretário-geral do PSOE anda de reunião em reunião a tentar formar um executivo de coligação.

“Não nos preocuparia nada se Sánchez e Rivera tivessem uma vice-presidência, não teríamos nenhum problema em aceitar isso”, disse Javier Maroto, um responsável nacional do PP. Ou seja, a proposta do partido passa claramente por uma solução de bloco central alargado, uma gran coalición com um total de 323 deputados — aqueles que têm PP, PSOE e Ciudadanos.

Em Bruxelas, onde está a participar no Conselho Europeu desta tarde, Mariano Rajoy confirmou a oferta, que aliás já tinha feito. “Já o disse a 21 de dezembro: deve haver um governo como os que há em toda a Europa ou como há na Comissão Europeia. Presidido pelo partido que ganha as eleições, o Popular, com o Partido Socialista e com a entrada do Ciudadanos, apesar dos seus votos não serem necessários é sempre bom. Este é o sistema que há na Alemanha ou na Áustria”, disse o ainda chefe do governo espanhol.

Que, de caminho, ainda aproveitou para deixar mais uma mensagem a Sánchez — mas desta vez sem mimos. Que o líder do PSOE nem sonhe com uma abstenção dos populares na sessão de investidura de um eventual executivo de socialistas e Ciudadanos. “O Partido Popular é maior de idade, temos de prestar contas a mais de sete milhões de pessoas que não entenderiam a abstenção”, disse Rajoy, citado pelo El Mundo. “Não vamos fazê-lo, não a uma pessoa que teve 1,7 milhões de votos a menos do que nós e que inclusivamente se negou a apoiar-nos e até a falar. Ninguém entenderia que lhe déssemos o nosso apoio. Isso não existe, é um cenário impossível”, atirou.

Neste momento, Pedro Sánchez, que recebeu do rei o mandato para fazer negociações com vista a um eventual governo, parece mais inclinado a entender-se com o Ciudadanos do que com os partidos à esquerda (Podemos e Izquierda Unida). Depois de ter apresentado um extenso documento com propostas para uma coligação de esquerda, o líder do Podemos insistiu na necessidade de se reunir com Sánchez, mas tem recebido negas até ao momento. “Só vou posar para a foto com Pablo Iglesias quando houver acordo”, disse o líder socialista, tentando acalmar as ânsias do Podemos. Esta quinta-feira, Iglesias voltou à carga. Seria “bom, sensato e razoável” que os dois se encontrassem, “com fotos ou sem fotos”. Mas o socialista chuta para as equipas negociadoras.

E o relógio, entretanto, não para. O debate de investidura de Pedro Sánchez tem início marcado para dia 2 de março e até lá é necessário haver um acordo. Na quarta-feira, à saída de mais uma reunião, os responsáveis pelas negociações entre PSOE e Ciudadanos vinham sorridentes e confiantes, sublinhando que não há “obstáculos inultrapassáveis” entre os dois partidos. Na sexta-feira, as equipas voltam a reunir para discutir o futuro dos impostos, da educação e de algumas estruturas do Estado (como o Senado, que o Ciudadanos quer abolir). O objetivo é ter um texto conjunto até segunda-feira para depois ser aprovado pelos militantes do PSOE e, assim, ter algo para mostrar no dia 2 de março.

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