A candidata à liderança do CDS, Assunção Cristas, defendeu esta sexta-feira que o governador do Banco de Portugal seja nomeado pelo Presidente da República, e não pelo Governo como é atualmente. A posição dos centristas já tinha sido defendida no ano passado, quando o Parlamento debateu as novas regras de nomeação do governador, mas é agora reforçada pela mais provável sucessora de Paulo Portas na liderança do partido. “Dessa maneira não restarão dúvidas de que o governador é independente”, disse durante um almoço no IDL – Instituto Amaro da Costa.

“Todos nós defendemos um supervisor mais proativo, mais capaz de intervir, mas queremos um regulador independente e por isso o CDS defende que deve ser nomeado pelo Presidente da República. Dessa maneira não restarão dúvidas de que o governador é independente e não pode servir de arma de arremesso político”, disse, depois de caracterizar de “imprudentes” as recentes acusações do primeiro-ministro António Costa ao Banco de Portugal.

Para Assunção Cristas, que falava a um grupo de militantes e dirigentes do CDS no âmbito da sua campanha interna pela liderança, o caso dos lesados do BES, que motivou a tensão entre o Governo e o governador do Banco de Portugal, “precisa de uma solução”. E sugere que o caso seja resolvido num “tribunal arbitral, designando-se árbitros das várias partes e um presidente independente”.

“Só assim a matéria ficará resolvida sem ser preciso atacar as instituições de que tanto dependemos para ter credibilidade”, disse, referindo-se ao ataque que Costa tem vindo a fazer ao Banco de Portugal, instituição que responde diretamente perante o Banco Central Europeu.

Na mesma intervenção, Assunção Cristas teceu ainda críticas às “inquietudes” do Orçamento do Estado para 2016 e apontou o dedo ao facto de tanto PCP como Bloco de Esquerda virem agora a público “reclamar a renegociação da dívida”. Para a candidata à liderança do CDS, isso mostra a fragilidade do acordo à esquerda, evidenciando que António Costa “fala pela boca dos outros” em Bruxelas, passando uma mensagem que depois não se verifica ter correspondência com a realidade.

A centrista, contudo, não fecha a porta a eventuais futuros cenários de aproximação ao PS caso aquilo a que chama de “geringonça” (o acordo de esquerda) venha a falhar. Respondendo a perguntas feitas por militantes na sala do Instituto Amaro da Costa onde decorreu o almoço, Assunção Cristas não pôs de parte esse cenário – mas tudo dependerá da postura do PS. E do que vier a fazer António Costa.

“Depende de saber como o PS se comporta, como o primeiro-ministro se comportaria caso perdesse o apoio da esquerda, se se demite ou não”, começou por dizer, lembrando que há um Parlamento eleito há pouco tempo que continuará a funcionar no caso de esse acordo vier a ser rasgado. “Se o PS voltar a assumir um outro papel na construção do país que não seja apoiado pelas esquerdas radicais, podemos vir a analisar um outro cenário, mas ainda é muito cedo para falar nisso”, arriscou dizer.

“O importante é saber o que acontece ao país, e o CDS está sempre preparado para assumir as suas responsabilidades”, rematou.