O Bloco de Esquerda prestou esclarecimentos em relação ao cartaz polémico onde usa a figura de Jesus para celebrar a aprovação da adoção de casais do mesmo sexo. Em comunicado, o partido afirmou que, na realidade, não se trata de um cartaz, mas de uma mensagem para circular apenas nas redes sociais. É uma “forma de, nas redes sociais, com recurso ao humor, chamar a atenção para a conquista da​ igualdade entre todas as famílias”, lê-se em comunicado enviado à imprensa.

Ao Observador, fonte da direção do Bloco de Esquerda esclareceu que o cartaz com a figura de Jesus foi criado apenas para circular somente nas redes sociais. Ontem, o jornal Público avançava que no sábado a imagem sob a forma de cartazes já estariam espalhados pelo país.

Esta sexta-feira, foi afixado um cartaz, menos polémico, no Campo Pequeno, com a mensagem “Igualdade”.

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A mensagem, ainda assim, não é nova. Algo que o Bloco faz questão de esclarecer: “É um velho slogan ​do movimento internacional pela igualdade de direitos”.

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A frase em que o Bloco se inspirou já foi usada por diversas vezes. Em 2013, no Canadá, uma igreja anglicana usou esta mensagem para demonstrar a sua tolerância para com casais homossexuais, noticiava o The Independent. No cartaz lia-se: “Jesus tinha dois pais e ficou perfeitamente bem”.

Ainda em 2013, uma outra igreja anglicana espalhou a mesma mensagem. Neste caso a Gosford Anglican Church.

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A mesma mensagem esteve presente em frente de uma igreja católica romana, em Buffalo, Nova Iorque, mas foi removido depois de terem sido feitas queixas, alegando que promovia o casamento entre pessoas do mesmo sexo, reportava o Daily Mail, em novembro de 2015.

A mesma frase foi, também usada em paradas do Gay Pride:

A frase "Jesus had two dads" (Jesus tinha dois pais), num cartaz, numa parada do Gay Pride, em Roma, 2015

A frase “Jesus had two dads” (Jesus tinha dois pais), num cartaz, numa parada do Gay Pride, em Roma, 2015

Entretanto, em Portugal, foi criada uma petição para que se retirassem do cartaz, apelidado de ‘blasfemo’, que conta já com quase 2 mil assinaturas.

Por seu lado, o CDS também reprovou o cartaz, afirmando que é “uma ofensa gratuita à sensibilidade de muitos portugueses”, cita o Diário de Notícias. Pedro Mota Soares acrescenta, ainda: “Em política, como na vida, podemos discordar das ideias dos outros, mas não devemos ofender os sentimentos dos outros”. O deputado centrista refere também que a liberdade de expressão é “total”, mas que é preciso ter em conta a “sensibilidade” das pessoas.

*Editado por Filomena Martins