O BE vai pedir à comissão de inquérito do Banif que requeira a lista de empresas que avaliaram ou compraram ativos aquele banco, na sequência da notícia da contratação da ex-ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, por parte de uma empresa financeira britânica que negociou com o Estado português a compra de crédito em risco do Banif.

O novo trabalho da ex-ministra agitou esta quinta-feira o mundo político e tem motivado acesas críticas do PCP e do BE.

O PCP tem “sérias dúvidas” sobre a contratação da ex-ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, para a administração de uma empresa financeira de Londres, a Arrow Global). O deputado comunista Jorge Machado alertou para a possível violação do regime de incompatibilidades dos deputados, assim como do chamado “período de nojo” dos ex-titulares de cargos políticos, e remeteu o caso para a subcomissão parlamentar de Ética.

“A subcomissão de Ética deve analisar o caso e pronunciar-se”, disse Jorge Machado, exigindo igualmente um pedido de esclarecimento da ex-ministra e atual deputada, alegando que está em causa a “promiscuidade entre poder político e económico”, uma vez que Maria Luís esteve “diretamente ligada ao processo do Banif” enquanto era governante.

Para o PCP pode estar em causa uma “violação do estatuto dos deputados”, dado que a ex-governante “não cumpriu o período de nojo” que está imposto no “regime de impedimentos a que os deputados estão obrigados”.

De acordo com o deputado comunista, “há muito” que o PCP defende que o alargamento do chamado período de nojo dos titulares de cargos políticos, que os impede de exercer funções em empresas privadas ligadas ao setor que antes tutelavam. Atualmente este período é de três anos. Não afirmando que o caso de Maria Luís Albuquerque viola estas normas, os comunistas defendem que, “em nome da ética, a questão deve ser suscitada”.

O Bloco de Esquerda também já se pronunciou sobre o caso. De acordo com o Esquerda.net, órgão de comunicação oficial do partido, a Arrow Global tornou-se líder da gestão de crédito malparado em Portugal depois de ter adquirido no ano passado a Whitestar e a Gesphone. E cita um documento onde a Arrow revela gerir 5,5 mil milhões de euros e ter como clientes em Portugal os bancos Santander, Banif, Millennium BCP, Banco Popular, Montepio, Finibanco, Crédito Agrícola, Cofidis, entre outras empresas.