A antiga ministra das Finanças do governo PSD/CDS-PP, Maria Luís Albuquerque, será ouvida na comissão de inquérito às perdas no Novo Banco no dia 1 de abril, de acordo com o calendário de audições da próxima semana.

Segundo o calendário divulgado aos deputados e publicado no ‘site’ do parlamento, a antiga ministra do governo de Pedro Passos Coelho será ouvida pelas 09h30 de quinta-feira, 1 de abril, na Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar às perdas registadas pelo Novo Banco e imputadas ao Fundo de Resolução.

Para a próxima semana estão ainda marcadas audições ao antigo presidente do Fundo de Resolução José Ramalho (terça-feira às 15h00) e ao antigo diretor do departamento de supervisão prudencial do Banco de Portugal Vasco Pereira (quarta-feira às 09h30).

Vários partidos, nos pedidos iniciais de audições, ainda no ano passado, já tinham requerido a presença de Maria Luís Albuquerque na comissão, por se tratar da ministra em funções aquando da resolução do Banco Espírito Santo (BES).

O coordenador do PS na comissão de inquérito, João Paulo Correia, disse esta quinta-feira que as audições que já tiveram lugar “têm demonstrado que a linha de apoio à banca disponibilizada pelo programa da ‘troika’ esteve em cima da mesa até julho de 2014 e só não foi aplicada ao BES por decisão política do governo à época, mais concretamente da senhora ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque”.

O PS requereu esta quarta-feira depoimentos por escrito do ex-Presidente Cavaco Silva, dos antigos primeiros-ministros Durão Barroso (também antigo presidente da Comissão Europeia) e Passos Coelho e a audição presencial do antigo secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro Carlos Moedas (candidato do PSD/CDS-PP à câmara de Lisboa), podendo estes novos pedidos alterar o calendário das inquirições marcadas.

O anúncio foi feito por João Paulo Correia um dia depois da audição de José Honório, ex-administrador do BES e Novo Banco, que segundo o socialista revelou que o antigo presidente do BES Ricardo Salgado entregou, em 2014, um memorando a cada uma das autoridades políticas em que dava conta do “buraco gigante em que estava enfiado o GES”.

“Passadas poucas semanas, depois destas reuniões que Ricardo Salgado teve com todas estas autoridades políticas, depois de conhecerem a dimensão do buraco do Grupo Espírito Santo, decorreu o aumento de capital do BES de cerca de mil milhões de euros”, referiu, considerando que as autoridades políticas, europeias e nacionais, “nada fizeram para impedir este aumento de capital que gerou milhares de lesados” em Portugal.

Para o PS, há responsabilidades que “não estão suficientemente esclarecidas por parte destas autoridades políticas”.

O presidente do PSD relacionou o pedido feito pelo PS para ouvir Carlos Moedas no inquérito sobre Novo Banco com as próximas eleições autárquicas, ironizando que podem chamar também ao processo os candidatos do PSD ao Porto e Gaia. “Aproveitando a embalagem, o PS podia chamar também ao processo Vladimiro Feliz e António Oliveira. Era três em um”, ironizou Rui Rio, numa publicação na rede social Twitter.

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