O vice-Presidente do Brasil, Michel Temer, cancelou a visita que faria a Lisboa na próxima terça-feira, quando participaria do Seminário Luso-Brasileiro de Direito do Instituto Brasiliense de Direito Público. A informação foi avançada esta quinta-feira pelo jornal Folha de S. Paulo.

De acordo com a publicação, a assessoria de imprensa do vice-Presidente afirmou que Temer “optou por ficar no Brasil a pedido de integrantes do seu partido para capitanear as negociações em torno da reunião que definirá o desembarque do PMDB do governo Dilma Rousseff”.

Conforme já havia apontado o Observador, a visita de Temer à capital portuguesa na próxima terça-feira coincide com a reunião do diretório nacional do PMDB, partido do qual é presidente. Segundo nota divulgada à imprensa, o objetivo deste encontro será “conhecer e decidir sobre moções que nela foram apresentadas propondo o rompimento da aliança política administrativa com o Governo Federal”. Ou seja, o partido vai votar neste dia a sua permanência no governo Dilma Rousseff.

Desde o seu anúncio, o Seminário Luso-Brasileiro de Direito tem chamado a atenção da imprensa brasileira pela lista de participantes, entre os quais se encontram os senadores Aécio Neves e José Serra do PSDB, defensores do impeachment da Presidente. Também estão previstas as participações de Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal, e Paulo Skaf, presidente das Indústrias do Estado de São Paul (FIESP), ambos críticos do governo petista.

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O PMDB é o maior partido da coligação da “base governista”, com 67 deputados e sete ministérios, além de deter a presidência da Câmara dos Deputados e do Senado. O partido contribui ainda com oito dos 65 parlamentares que fazem parte da comissão especial que vai decidir pela continuidade do processo de impugnação do mandato da presidente do Brasil, antes de ir a votos na Câmara dos Deputados.

Caso decida abandonar o governo, o PMDB vai entregar as suas pastas ministeriais e votar pelo afastamento de Dilma Rousseff, posição já defendida publicamente pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. A decisão, no entanto, não é unânime, conforme as últimas declarações da ministra da Agricultura, Kátia Abreu, e do líder do PMDB na Casa Legislativa, Leonardo Picciani.