O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, fez este sábado uma visita à prisão feminina de Tires, acompanhado pela ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, visita que ambos definiram como de “solidariedade espiritual”, em época de Páscoa.

“Nós devemos ser solidários todo o ano, mas há momentos do ano em que tradicionalmente se expressa mais essa solidariedade. É o caso do Natal, é o caso também da Páscoa”, declarou Marcelo Rebelo de Sousa, num dos refeitórios do estabelecimento prisional, perante dezenas de reclusas, que o receberam com palmas.

Com Francisca Van Dunem a seu lado, o chefe de Estado acrescentou: “Portanto, agora pela Páscoa, não podendo trazer amêndoas para todas, todas, todas, até para não engordarem, o que é facto é que trouxemos a nossa presença e a expressão da nossa solidariedade espiritual”.

O Presidente da República elogiou a componente de “ressocialização” da prisão de Tires e deixou palavras de incentivo à reabilitação das reclusas, dizendo-lhes que “ninguém está condenado para sempre a uma determinada vida”, pois “pode e deve refazê-la ao longo dos anos e décadas da existência”.

“É isso que nós esperamos que aconteça convosco. Que venham a ter um futuro que signifique uma vida refeita, num clima de solidariedade”, completou Marcelo Rebelo de Sousa, defendendo que “os países mais solidários são mais felizes”. No final da visita, que durou cerca de hora e meia, a ministra da Justiça disse que esta foi “uma iniciativa do Presidente da República”, à qual o seu ministério “não podia deixar de se associar”.

“Nós somos uma sociedade solidária e há períodos em que a solidariedade se expressa em particular nestes espaços, onde há pessoas em situação de clausura: o Natal, a Páscoa, as quadras festivas”, afirmou a ministra. Francisca Van Dunem utilizou igualmente a expressão “solidariedade espiritual”, para enquadrar esta visita.

“Além disso, queremos expressar o nosso convencimento e o nosso compromisso com as tarefas de reabilitação, que são essenciais ao nível prisional”, salientou. A ministra fez estas declarações numa sala onde estavam expostos tapetes de Arraiolos e malas feitas por reclusas, um trabalho que Marcelo Rebelo de Sousa elogiou e com o qual disse ter tido contacto, por acaso, há pouco tempo.

“Não conhecia e fiquei encantado e surpreendido pela qualidade do trabalho”, declarou, considerando que a compra de um daqueles tapetes para o património do Estado “é uma boa ideia, para valorizar o trabalho da instituição”.

Como é regra nas visitas a estabelecimentos prisionais, a comunicação social teve limitações de circulação e de registo de imagens e sons, para não expor as reclusas e as crianças, que vivem com algumas delas, no estabelecimento prisional.

As declarações à imprensa também foram limitadas. A Lusa abordou uma das reclusas a meio da visita, que respondeu: “Acho que não podemos falar, peço desculpa”. Elsa Tomé, adjunta para a área jurídica do estabelecimento, informou que só era possível fazer entrevistas “no final da visita, num espaço onde as reclusas poderiam falar”. Nesse espaço, estavam apenas três reclusas com quem os jornalistas podiam falar.