O Caixabank assumiu esta quinta-feira que “já não é tempo de negociar com outros acionistas do BPI sobre a estrutura de capital”, uma vez que apresentou uma OPA (oferta pública de aquisição), admitindo apenas dialogar sobre o problema da exposição ao risco de Angola. Em causa estão as negociações, até agora falhadas, com a Santoro de Isabel dos Santos sobre o futuro acionista do Banco do Fomento Angola.

“Quando se apresenta uma OPA (Oferta Pública de Aquisição), já não é tempo de negociar, quando se apresenta uma OPA, os outros acionistas têm de ver se lhes interessa ou não, aceitar ou não. Naturalmente, continuamos a trabalhar construtivamente porque, neste caso, além da OPA sobre o BPI, está pendente a resolução de um problema sobre o BFA [Banco Fomento de Angola, detido maioritariamente pelo BPI]”, considerou o administrador-delegado do Caixabank, Gonzalo Gortázar.

As declarações do presidente executivo foram feitas na apresentação das contas do banco catalão, em Barcelona, no mesmo dia em que a assembleia geral do banco português vai discutir uma alteração dos estatutos que permitirá manter Fernando Ulrich na liderança executiva do banco português. Gortázar manifestou também confiança na equipa de administração do BPI.

O Caixabank é o maior acionista do BPI, com 44,1%, e lançou nas últimas semanas uma OPA sobre o restante capital do banco português, condicionada à eliminação dos estatutos de bloqueio na entidade financeira portuguesa, que lhe limitam os direitos de voto a 20%.

O Governo português aprovou um decreto-lei que permite a desblindagem desta cláusula de bloqueio dos direitos de voto, mas à luz das novas regras do Banco Central Europeu, o BPI continua exposto ao risco de Angola, uma vez que detém mais de 50% do Banco Fomento e Angola.

“Não que o banco tenha algum problema, mas pesa muito no balanço do BPI e portanto passa os limites de concentração de riscos. Esse risco requer a colaboração de muitas partes, um diálogo construtivo com as autoridades regulatórias de Angola. Já nos pusemos à disposição do Banco Central de Angola para explicar a operação e para encontrar uma solução. E requererá o diálogo com o sócio do BFA em Angola, que é a Unitel”, completou.

Citado pela Bloomberg, o responsável qualificou ainda de “joia” o banco angolano, admitindo contudo que o BFA pode vir a ser aberto negociado em bolsa, ponto que aliás fazia parte do acordo alcançado com a segunda maior acionista do BPI, Isabel dos Santos, mas que acabou por ficar sem efeito. Gortázar mostrou ainda a convicção de que o Banco Central Europeu vai dar tempo ao BPI e aos seus acionistas para reduzir a exposição a Angola sem aplicar as sanções previstas. E deixou a garantia de que o Caixabank procurará “sempre o diálogo para solucionar esse problema”.

“Mas que fique bem claro: o diálogo refere-se a solucionar o problema de Angola. Não estamos a dialogar com os acionistas do BPI sobre a OPA. Está apresentada e agora toca a aceitar ou rejeitar”, concluiu.