Ainda nem uma semana passou e já há um grupo de lisboetas farto das obras no chamado eixo central da cidade, entre o Marquês de Pombal e Entrecampos. Para protestarem contra aquilo que consideram ser um projeto que não teve “um debate sério”, marcaram um buzinão para a próxima terça-feira em plena hora de ponta (18h30) no Marquês de Pombal.

“Estamos em desacordo com esta intervenção camarária”, explicou ao Observador Luís Andrade, um dos promotores do protesto. Segundo explicou, nas últimas semanas, sobretudo desde uma sessão de esclarecimento promovida pela autarquia, um grupo de pessoas, tanto moradoras da zona, como de outros locais de Lisboa, têm falado sobre que iniciativas deviam tomar para impedir o avanço das obras. O objetivo, acrescentou, é precisamente conseguirem “suspender a obra para fazer um debate sério”, que Luís Andrade considera que não existiu.

As obras neste eixo — que abarca o Marquês de Pombal, as avenidas Fontes Pereira de Melo e da República e as praças Duque de Saldanha e Picoas — foram anunciadas há meses pela câmara municipal e desde então já se realizaram diversas reuniões com moradores, algumas delas bastante exaltadas. Luís Antunes alega, no entanto, que só tomou conhecimento das intenções do município “na véspera da sessão de esclarecimento” realizada no Mercado 31 de Janeiro há cerca de um mês. “Nunca tinha ouvido falar disto”, acrescentou. Como ele, há muitos outros, acredita: há “um desconhecimento enorme” do projeto.

Para promover o buzinão e as ações que prometem fazer a seguir, o grupo lançou uma página no Facebook chamada “Lisboa, estaleiro eleitoral”. É através dela que pretendem “alertar as pessoas”, para que se somem às vozes críticas. E todos são bem-vindos. “Não há aqui nenhuma filiação partidária”, garante Luís Andrade.

Apesar disso, quem aproveitou para se associar à iniciativa foi o vereador do CDS, João Gonçalves Pereira, desde sempre crítico do projeto e o único que votou contra a implementação do mesmo. “O CDS evidentemente que acompanha esta indignação”, diz o eleito, para quem “a circulação em Lisboa está comprometida”, não só enquanto decorrerem as obras como depois.

Atualmente, além destes trabalhos no eixo central, a câmara tem obras a decorrer também no Cais do Sodré e em inúmeras ruas e avenidas que estão a ser pavimentadas. Brevemente começarão os trabalhos na Segunda Circular e na praça de Sete Rios. João Gonçalves Pereira critica “uma câmara que durante dois anos e meio não fez obra nenhuma e que agora está a lançar um conjunto de obras que irá tornar Lisboa num autêntico pandemónio”. Perante este protesto que se avizinha, o autarca centrista aproveita para retribuir um mimo que o presidente da câmara, Fernando Medina, lhe lançou aquando da discussão do projeto. Medina acusou Gonçalves Pereira de fazer “uma figura ridícula” por se opor às obras. “O ridículo agora não é só de um vereador, é da população de Lisboa”, remata o eleito do CDS.

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