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Fernanda Câncio escreve na Visão: "Sócrates. O processo Marquês e eu"

Ao longo de nove páginas, a jornalista que teve uma relação com o ex-primeiro-ministro, conta na primeira pessoa as ligações ao caso.

“Sócrates. O processo Marquês e eu”. É com este título sobre uma foto da jornalista Fernanda Câncio que a revista Visão sai hoje para as bancas. Há ainda uma frase de Câncio, que teve uma relação com José Sócrates durante um determinado período:

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“Se fizesse ideia da relação pecuniária entre Santos Silva e Sócrates teria feito perguntas por considerar a situação, no mínimo, eticamente reprovável”.

A jornalista, referida várias vezes no processo do qual o ex-primeiro-ministro é o principal arguido devido à relação que mantinham, fala pela primeira vez do caso. Até agora, Câncio, que tem sido notícia em vários jornais a propósito da investigação, e que já tentou impedir que os jornais a mencionem por não ter sido indiciada pela Justiça, nem ser suspeita de qualquer crime no processo Marquês, nunca se tinha pronunciado publicamente. No entanto, tem amiúde comentado o caso nas redes sociais.

O artigo, segundo explicação da própria Fernanda Câncio no Facebook, começou por ser um texto de 30 mil carateres que Câncio tinha inicialmente intenção de publicar no seu blogue, o Jugular. Depois, conta, decidiu propor a publicação à Visão. “Quando o escrevi, nem sabia muito bem o que ia fazer com ele: a ideia inicial era publicá-lo aqui e no Jugular, como fiz com o meu primeiro esclarecimento público sobre o mesmo assunto. Depois alguém — dois bons amigos — sugeriu que podia tentar publicar num jornal. Dado o tamanho do texto, cuja primeira versão tinha mais de 30 mil carateres, tinha de ser numa revista. Entrei em contacto com a visão e esta manifestou o seu interesse, explica Câncio.

“Seguiu-se a tentativa de rever e cortar o testamento, para o que tive a preciosa e nunca demais agradecida ajuda de três amigos. Muitos outros se deram ao trabalho de ler e me dizer o que achavam, e se achavam boa ideia publicar. A maioria encorajou-me a fazê-lo; só um achou que não era boa ideia”, prossegue ainda Câncio, que vai acrescentando justificações para a sua decisão e elenca os riscos que diz saber que pode correr ao publicar um texto sobre o assunto. “O risco, claro, é de que, para além de ser possível que muita gente entenda mal esta minha atitude (sobretudo por não se dar sequer, como é tão comum, ao trabalho de ler o que escrevi), aqueles que me colocaram na situação de sentir que tinha de a tomar retaliem. Diria mesmo que não é um risco, é uma certeza. Mas tenho um problema com viver sob chantagem: é, nas palavras imortais do almirante, uma coisa que me chateia. Venha pois o que vier, e depressa, que tenho mais que fazer.”

Por fim, Câncio contesta a escolha de título para capa da Visão. “Não gosto do facto de a visão ter colocado com título de capa ‘Sócrates, o processo Marquês e eu’. O título do meu texto é ‘o processo Marquês e eu’. não é por acaso que Sócrates não está lá: é porque não escrevi sobre Sócrates, e muito menos sobre Sócrates e eu. Mas era decerto pedir de mais que não tentassem fazer crer que resolvi dar uma de trierweiler.” [Valerie Trierweiler, que viveu com François Hollande e publicou um livro sobre essa relação].

Também no Facebook, na página da revista Visão, o diretor, João Garcia, anuncia a edição da revista. Garcia começa por dizer que face à importância do artigo decidiu antecipar a revista num dia (sai esta quarta-feira para a maior parte do país e não quinta, como é habitual. O diretor considera o texto de Câncio de “especial relevância” por ser o primeiro “esclarecimento público” da jornalista que teve uma relação com “José Sócrates e com ele conviveu durante os anos que estão a ser investigados”.

João Garcia diz que o “relato” de Câncio ao longo das nove páginas da revista permite “esclarecer alguns dos episódios” que têm sido referidos na investigação ao ex-primeiro-ministro. Desde se Câncio “sabia ou não dos pagamentos em dinheiro vivo” ou “quem pagava as férias”, e sublinha que a jornalista lamenta ter de falar na “sua vida pessoal” devido “às acusações” de quem tem sido alvo. Garcia fala de “uma viagem a uma parte do processo, vivida na primeira pessoa”.

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