Ainda o polémico cartaz da JSD, onde Mário Nogueira surge retratado como Joseph Stalin, líder da União Soviética entre 1922 e 1953. Num artigo de opinião publicado no jornal Público, Francisco Assis tece duras criticas à ideia da jota, mas vai mais longe e não poupa o líder da Fenprof: para o eurodeputado socialista, “Mário Nogueira está a provar do seu próprio veneno” e a sofrer as naturais consequências da “grosseria alarve com que ele e os seus companheiros de percurso tantas vezes trataram quem deles discordava”.

Depois de ser confrontado com o cartaz da JSD, Mário Nogueira decidiu processar a jota por considerar que a ilustração era uma “ofensa” ao seu “bom nome” e à reputação Fenprof. “Estranho seria que não me sentisse ofendido quando me põem disfarçado de um sujeito, que foi um criminoso“, disse ao Público.

Ora, foi precisamente este último ponto que serviu de fio condutor ao artigo de opinião de Francisco Assis. “Já não esperava, nos dias da minha vida, ouvir um destacado militante do PCP apelidar Josef Stalin de ‘sujeito criminoso’. Mário Nogueira ludibriou a minha descrença“, escreve o socialista.

Mesmo admitindo que a comparação entre Mário Nogueira e Joseph Stalin é errada, Francisco Assis defende que o dirigente sindical não tem “legitimidade moral” para “assumir o papel de vítima”. “Pelo contrário, sempre se caracterizou pela adopção de uma linguagem excessiva e colocada ao serviço de um fanatismo corporativo-ideológico que só tem paralelo no comportamento dos estivadores do porto de Lisboa“, defende o eurodeputado.

Francisco Assis lembra as “campanhas verbalmente agressivas” — palavras do próprio — com que o dirigente sindical serviu os “vários titulares da pasta da Educação”. E compara a atitude de Mário Nogueira ao “comportamento geral da extrema-esquerda” nos últimos anos.

Basta ver como os deputados do PCP e do BE atuam no Parlamento para perceber a que ponto a degradação da linguagem constituiu uma opção política consciente”, atira o socialista.

E esta não é, de todo, a única crítica que Assis faz aos parceiros parlamentares de António Costa. A partir das palavras de Mário Nogueira, o eurodeputado classifica-o como um “herói”, pese embora a ironia com que emprega a palavra, depois de ter rompido com a “ortodoxia comunista”.

“O que há de verdadeiramente novo neste episódio é a forma como Mário Nogueira ousa referir-se ao ‘camarada’ Stalin. Refere-se a ele como um “sujeito” [e] ainda por cima “criminoso”. Ora, isto é que não estava previsto no guião (…) Nogueira rompeu com a ortodoxia comunista, ofendeu décadas de idolatria stalinista [e] pôs em causa a própria identidade do PCP. Um dia destes ainda o veremos a explicar a Rita Rato quem foi Soljenitsin e quão real era a existência dos gulags. Das duas, uma: ou no PCP a tradição já não é o que era ou Mário Nogueira arrisca-se a ter problemas.”

Nogueira, termina Assis, arrisca-se ser “o primeiro dirigente comunista que não precisou de se tornar dissidente para ver em Stalin aquilo que este foi: um verdadeiro sujeito criminoso“.