A Bulgária impediu, pela primeira vez, cerca de cem migrantes de entrarem no país através da fronteira com a Grécia, a sul, uma decisão que pretende enviar uma “mensagem forte” aos traficantes de pessoas, anunciou este domingo o Governo búlgaro.

Entre os migrantes, encontravam-se 56 afegãos, que estavam escondidos num comboio de carga, e um outro grupo com cerca de 40 sírios e iraquianos. Este foi o maior número de pessoas detetadas quando tentavam entrar neste país do leste europeu, desde o início da crise dos refugiados.

“O seu regresso foi realizado a uma velocidade recorde para a Europa”, afirmou o primeiro-ministro, Boyko Borisov, após um encontro com a polícia responsável pelas fronteiras e com uma unidade do exército, na cidade de Blagoevgrad, no sudoeste da Bulgária.

“Enviámos uma forte mensagem aos traficantes que estão a explorar estas pobres pessoas”, acrescentou o ministro do Interior, Rumyana Bachvarova.

Após a recente evacuação do campo de refugiados de Idomeni, na fronteira entre a Grécia e a Macedónia, onde milhares de pessoas estavam retidas depois de países dos Balcãs terem fechado as fronteiras, a Bulgária tem registado um aumento do número de pessoas que procuram uma nova rota para entrar na Europa.

Os afegãos regressaram à Grécia no próprio dia, enquanto os restantes 40 migrantes estavam a ser investigados e deverão voltar para trás na próxima semana, disse Borisov.

Os migrantes tinham pagado, cada um, 200 euros aos traficantes, confiando que seriam levados para a Macedónia, adiantou o governante búlgaro.

De forma a gerir eventuais incidentes, no futuro, será deslocado um contingente de 65 soldados com veículos todo-o-terreno para zona oeste da fronteira com a Grécia, que deverá apoiar a polícia, referiu ainda.

A fronteira entre a Bulgária e a Grécia tem quase 500 quilómetros e o país também partilha uma fronteira de 260 quilómetros com a Turquia.

Até agora, Sófia tem-se focado na fronteira com a Turquia, acelerando a construção de uma vedação com 132 quilómetros de comprimento e três metros de altura.

Mas, recentemente, Borisov reconheceu que a fronteira grega é “a maior ameaça”, admitindo também a construção de uma barreira, se necessário.

Situada no extremo a leste da Europa, a Bulgária registou 5.010 pessoas à procura de asilo, entre os quais sírios, iraquianos e afegãos.