Em dezembro, o CEO da NOS, Miguel Almeida, não confirmou se os jogos do Benfica continuariam a ser transmitidos no canal oficial do clube, a BTV, mas deixou escapar que esse cenário era pouco provável. Esta segunda-feira, o que era improvável fez-se certeza, anunciando a NOS, em comunicado, que os jogos vão mesmo continuar na BTV na próxima época, não voltando à Sport TV — canal que é detido por Joaquim Oliveira e pela própria NOS.

Outra novidade deste comunicado é que a BTV continuará a ser um canal premium, ou seja, pago, não se sabendo, porém, se a mensalidade se manterá ou será revista.

Recorde-se que, numa guerra de operadoras entre a NOS e a Meo, a primeira adquiriu os direitos televisivos (já a partir da época de 2016/2017) do Benfica, assim como a distribuição da BTV, por 400 milhões de euros no prazo máximo de 10 anos. Por sua vez, a Meo conseguiu os direitos televisivos do FC Porto e a distribuição do Porto Canal, este último já na temporada que agora acabou.

E foi precisamente com o Porto Canal que o confronto de interesses entre as duas gigantes das telecomunicações se adensou: os clientes da NOS, que tinham acesso ao canal oficial do FC Porto, deixaram de ter, na sequência de um corte de sinal naquela plataforma.

A razão de o Benfica continuar na BTV e não na Sport TV? Talvez pressão. Da NOS sobre a Meo. Na última semana, a NOS e a Vodafone sentaram-se à mesa de negociações e assinaram um memorando para a transmissão recíproca de direitos desportivos, bem como para a comparticipação dos custos (atuais e futuros) associados a estes conteúdos.

Um memorando que não fecha a porta à entrada da Meo, desde que, lê-se, “tal adesão seja efetuada nos termos e em condições idênticas às acordadas”. Trocando por miúdos: desde que a Meo aceite ceder os direitos desportivos (FC Porto e Porto Canal) que adquiriram até aqui.

Contas feitas, a partir de junho a distribuição da BTV (onde vão ser transmitidos os jogos do Benfica) passa a ser exclusiva da NOS. Caso os jogos ficassem na Sport TV, e como este canal não pode ser exclusivo de nenhum operador (por imposição da Autoridade da Concorrência), a Meo transmitiria jogos do Benfica. Assim, nestes moldes, ou negoceia, ou não há Benfica para os seus clientes.