Wolfgang Schäuble

Wolfgang Schäuble. Citações de um homem polémico

O ministro alemão não é conhecido por poupar nas palavras. Esta quarta-feira, quando falava sobre Portugal, fez algo que é raro: disse e recuou. Conheça as ocasiões em que manteve o que disse.

DREW ANGERER/EPA

Não têm sido poucas as vezes em que o nome de Wolfgang Schäuble, o veterano ministro das finanças alemão, apareceu lado a lado com parangonas como “controvérsia” ou “polémica”. É um facto que o braço-direito da Chanceler Merkel não tem papas na língua e os jornalistas sabem-no. Por isso, muitas vezes estendem-lhe a passadeira (ou o microfone), esperando apenas que ele fale.

Terá sido isso que se passou esta quarta-feira, quando Schäuble falou de um possível resgate a Portugal numa conferência sobre banca em Berlim. Inicialmente, a agência Bloomberg citou o ministro das finanças alemão como tendo dito que Portugal iria “pedir um novo programa” e que iria tê-lo. As declarações, algo opacas, acabaram por ser pouco depois corrigidas pelo próprio Schäuble, que disse: “Portugal não quer um novo programa e não vai precisar dele se cumprir as regras europeias que obrigam à consolidação orçamental e à redução do défice”.

Conheça outras citações de Wolfgang Schäuble e o contexto em que elas aconteceram. Algumas demonstram um sentido de ironia, outras são raras declarações em que se refere à sua declaração de paraplégico e à sua vida pessoal. E muitas foram o que o próprio ministro das finanças alemão também é: controversas. Recorde algumas:

Numa entrevista à Reuters em 2011, referiu-se à peculiar relação que tem com Angela Merkel, que ele próprio promoveu dentro do seu partido, a CDU. Os dois conheceram-se poucos meses depois da queda do muro de Berlim. Em 2005, quando foi eleita, Merkel chamou-o para o cargo de ministro do Interior, naquilo que terá sido uma maneira de mantê-lo por perto e não pelas costas. Eis o que Schäuble disse sobre a sua “lealdade” a Merkel:

A chanceler pode contar com a minha lealdade (…). Mas isso não quer dizer que eu vá ficar quieto e que vá ser fácil. Tenho a liberdade para fazer aquilo que eu acho que é correto.”

Ainda sobre a sua autonomia enquanto ministro, também à Reuters:

Toda a gente no Governo tem o seu papel (…). Eu estou na política há muito tempo, sou relativamente velho, e isso dá-me uma certa dose de independência.”

Em 2007, Schäuble esteve sob um coro de críticas por ter apelado a uma mudança na Constituição que desse mais poderes ao Estado no combate ao terrorismo, sobretudo no campo da vigilância e das detenções. Numa entrevista à revista Der Spiegel, perguntaram-lhe se sabia que um site estava a ter bastante êxito com a venda tshirts onde a sua cara aparecia juntamente com a expressão “Stasi 2.0”. Eis o que respondeu:

Não sabia até agora. Nesse caso, se posso responder ironicamente, ao menos a economia de mercado livre tomou uma posição.”

Um dos factos mais marcantes da vida de Schäuble foi a tentativa de homicídio dirigida contra ele por um homem de 37 anos com problemas psiquiátricos. Numa noite em outubro de 1990, este disparou sobre o então ministro do Interior, atingindo-o na cara e na coluna. Schäuble sobreviveu, mas ficou paraplégico. Eis o que disse em 2011, quando já era ministro das Finanças, à Der Spiegel sobre a sua condição de paraplégico e como isso acaba por influenciar a maneira como decorrem as reuniões do Eurogrupo:

Como utilizador de cadeira de rodas, não dá para uma pessoa se mover livremente. Isso é a única coisa que me incomoda um pouco. Quando estou no Eurogrupo, em Bruxelas, os colegas que quiserem falar comigo têm de vir ter comigo. Mas eu espero que eles saibam que isso não tem nada a ver arrogância.”

Ainda assim, o ministro alemão não se arroga a comparar-se aos melhores — neste caso, a Michael Ballack, futebolista alemão de renome na Alemanha que acabou por não ser convocado após uma quebra de rendimento devido a lesão. Foi do médio-centro que Schäuble falou para se referir às críticas que diziam que ele já não era a melhor escola para dirigir às finanças germânicas. Eis o que disse:

A política é competição, sobretudo nas posições mais altas. Quem não souber isso, não está preparado para a política. Há competição em todo o lado. Basta olhar para o debate que surgiu por causa do Michael Ballack. Eu pensava que a saída de Ballack da seleção alemã era algo trágico. Mas há coisas piores do que ter-se sido o jogador com mais qualidade, melhor performance e mais sucesso da Alemanha numa década inteira.”

Um dos maiores e mais conhecidos capítulos no livro das polémicas de Schäuble é, claro, a Grécia. Sobre aquele país em crise, o ministro das Finanças nunca poupou palavras. Os ânimos ficaram ainda mais intensos após a eleição do Governo de Alexis Tsipras em janeiro de 2015. Nem um mês depois, e ainda no início do que seriam longos meses de negociação e de troca de críticas, Schäuble disse o seguinte do recentemente eleito Governo grego:

Tenho pena dos gregos. Eles elegeram um Governo que neste momento está a agir de forma irresponsável.”

A novela continuou mais adiante, até resultar num referendo a novas medidas de austeridade, que acabou por acontecer a 5 de julho. Eis o que Schäuble disse quatro dias antes:

Não sabemos se o Governo grego vai fazer o referendo ou não, nem se é a favor ou contra. Honestamente, ninguém pode esperar que a gente fale com eles numa situação destas.”

Em 2010, já usava da ironia e do tom assertivo para se referir à Grécia, como ficou patente numa entrevista à Der Spiegel:

Eu aconselharia alguma prudência a quem quiser impulsionar populismo barato. Primeiro, todos os alemães que passaram férias na Grécia sabem que o nível de vida de lá não é mais alto do que é na Alemanha. Segundo, a Grécia está a pagar um preço alto pela assistência europeia.”

Já vai longa, a crise grega. Mas há outra que ainda agora começou e que já está ter os seus efeitos na Europa: o Brexit, decidido por 52% dos britânicos no referendo do passado 23 de julho. Eis o que Schäuble disse sobre essa possibilidade (para a qual elaborou um plano) numa entrevista à Der Spiegel a 10 de junho e onde falou também sobre a permanência do Reino Unido no mercado único:

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