A organização Fortify Rights acusou esta sexta-feira o governo da Tailândia de não proteger as vítimas de tráfico humano, apesar de ter melhorado a sua posição no relatório anual dos Estados Unidos.

Em comunicado, a organização não-governamental (ONG) qualificou como “prematura” a decisão do Departamento de Estado de subir a Tailândia do nível 3 para 2 no seu relatório anual sobre tráfico de seres humanos, apresentado na quinta-feira.

“A Tailândia fez melhorias nos últimos meses, mas melhorar a sua posição [no relatório] de 2015 é prematuro e envia uma mensagem errada ao Governo”, disse Matthew Smith, diretor executivo da ONG.

A Tailândia foi promovida — saindo da lista dos piores infratores (“Tier 3”) — para o grupo de países que estão a desenvolver esforços e medidas para combater o tráfico de pessoas, mas que estão sob observação.

A Fortify Rights denunciou que as autoridades tailandesas não ofereceram a proteção adequada às vítimas de tráfico de pessoas e mantêm em centros de detenção refugiados ‘rohingya’ — uma minoria muçulmana apátrida, considerada uma das mais perseguidas do planeta pelas Nações Unidas.

Neste sentido, a ONG manifestou o seu apoio ao facto de a Birmânia — que não reconhece cidadania aos ‘rohingya’ — ter sido colocada na “lista negra”.

Organizações de defesa dos direitos humanos saudaram a despromoção da Birmânia por considerarem que foi, por razões políticas, injustamente protegida da avaliação no relatório do ano passado, mas lamentaram que a Tailândia e a Malásia não tenham sido responsabilizadas.

Os Estados Unidos acrescentaram oito países (Djibuti, Haiti, Birmânia, Papua Nova Guiné, Sudão, Suriname, Turquemenistão e Uzbequistão) à “lista negra” de nações que não estão a combater o tráfico de seres humanos.

A Líbia, a Somália e o Iémen foram considerados casos especiais, cujos governos estão numa situação demasiado caótica para serem analisados.