A viagem de Marcelo Rebelo de Sousa a Lyon, para assistir ao encontro entre Portugal e País de Gales, a bordo de um Falcon da Força Aérea Portuguesa (FAP), está a provocar alguma polémica. O Correio da Manhã avança, esta quinta-feira, que o voo do Presidente da República terá custado 14 mil euros, 3.500 por hora. Ao Observador, no entanto, fonte oficial do ramo corrige: “É um valor absolutamente erróneo”.

A explicação da FAP é a seguinte: a Força Aérea tem um orçamento fixo que acautela todos os custos envolvidos com missões de treino, obrigatórias para testar as aeronaves e manter as tripulações qualificadas — além de serem usados para deslocações oficiais de representantes do Estado, os jatos da Força Aérea portuguesa podem ser usados, em circunstâncias especiais, para o transporte de doentes e de órgãos.

Ora, as horas de voo despendidas nesta viagem a Lyon vão permitir à Força Aérea poupar horas de voo em missões de treino com os aviões vazios. “As horas de voo são alocadas às missões de treino que já estavam planeadas”, explica fonte da Força Aérea.

A mesma fonte oficial do gabinete do Chefe do Estado-Maior da Força Aérea diz que os 3.500 euros por hora de voo, avançados pelo Correio da Manhã, são “apenas um valor de referência” para todas as viagens. Além disso, sensivelmente “dois terços” dos custos envolvidos na viagem do Presidente da República a Lyon já estão acautelados pelo orçamento do ramo. O excedente será, depois, ressarcido pela Presidência da República.

Fonte oficial da Presidência da República sublinha precisamente o mesmo ao Observador: “A tripulação do Falcon tem de cumprir horas obrigatórias de voo“.

Ao longo de quarta-feira, o Presidente da República esteve em Vila Real, Bragança e Guarda para segunda edição da iniciativa “Portugal Próximo”. O facto de ser tecnicamente impossível para o Presidente viajar em tempo útil de Bragança a Lyon num avião civil também explica o porquê de Marcelo Rebelo de Sousa ter optado por voar no Falcon. Foi a sua segunda deslocação a França, para assistir a jogos do Euro 2016, e a primeira vez que o fez no avião das Forças Armadas.

Além disso, a Presidência da República lembra que Marcelo Rebelo de Sousa “foi e veio de Lyon no mesmo dia, não pagando hotéis”, nem comportando outros custos associados. “Não é expectável que o Presidente da República não represente o país nas meias-finais” de uma competição em que participa “a seleção de todos nós”.

No domingo, quando Portugal jogar em Paris a final do Euro 2016, o uso do Falcon não deve repetir-se. Por ser uma situação já planeada, a Presidência da República terá tempo suficiente para preparar todos os detalhes e voar num avião civil.

Marcelo Rebelo de Sousa viajou acompanhado pelo ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, e pelo secretário de Estado do Desporto, João Paulo Rebelo.