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Quando a administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD) definiu, em 2012, as previsões de resultados operacionais no plano de negócios da instituição para 2014-2017 não contava que as taxas de juro continuassem em queda. Mas continuaram e estão mesmo em território negativo. E esta é a principal justificação, segundo o Jornal de Negócios e o Diário Económico, para o “desvio enormíssimo” no plano de negócios apontado, na quarta-feira, no Parlamento, pelo ministro das Finanças Mário Centeno.

Segundo o Jornal de Negócios, do “desvio” de 3.000 milhões quantificado por Mário Centeno, 2.000 milhões ficam-se a dever à evolução das taxas de juro e também ao facto das estimativas relativamente ao volume de crédito a conceder até ao final de 2017 estarem abaixo das metas então definidas. Também o Económico diz que a descida da Euribor é responsável por 60% a 66% desse “desvio”. O restante valor (cerca de 1/3 dos 3.000 milhões) é ditado pelas imparidades, dado que as previsões de crescimento económico não se confirmaram.

Já ontem, durante a audição do ministro das Finanças na comissão de orçamento, o deputado social-democrata Leitão Amaro tinha apontado para a “quebra significativa da Euribor que esmaga a margem financeira” da instituição e afirmara que o “desvio enormíssimo” apontado pelo governante “não corresponde a um buraco”, mas sim a um “eventual desvio nas rendibilidades futuras”.

Isto depois de Mário Centeno ter quantificado o “desvio enormíssimo do plano de negócios e de reestruturação que atinge verbas superiores a três mil milhões de euros” e de ter atribuído a responsabilidade deste desvio ao anterior governo, que deveria ter acompanhado a execução do plano de negócios e de reestruturação negociado com a Comissão Europeia.

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“Desvio enormíssimo” de 3.000 milhões é já a contar com os anos de 2016 e 2017

Mas dos 3.000 milhões quantificados por Mário Centeno só 1.350 milhões de euros, segundo o Diário Económico, correspondem a um desvio efetivo. Os restantes 1.650 milhões de euros dizem respeito ao potencial desvio apurado até 2018, ou seja, até ao término deste plano de negócios. Na verdade, o desvio total só poderá ser realmente quantificado em 2018.

É fundamental saber exatamente qual a situação da Caixa Geral de Depósitos para definir o plano de recapitalização que a futura administração está a elaborar.