O primeiro-ministro francês afirmou em entrevista que o ataque terrorista em Nice era inevitável e deixou o aviso: haverá mais ataques e “outras vidas serão ceifadas”. A entrevista a Manuel Valls foi publicada este domingo no Journal du Dimanche.

Quando a jornalista lhe pergunta se o ataque de quinta-feira à noite, durante as comemorações do 14 de julho em Nice, seria evitável, o governante diz que só os “políticos irresponsáveis” podem afirmar que sim. “O risco zero não existe. Dizer o contrário é mentir aos franceses”, respondeu Manuel Valls. E não fechou a resposta. Muito claro sobre o terrorismo, avisou que vão existir “mais ataques” e com mais vítimas. “Será longo”, diz. ”

“Compreendo as interrogações, a cólera dos mais próximos das vítimas que se perguntam: quando é que isto acabará?,” disse

O primeiro-ministro recusou ainda alimentar “polémicas inúteis” sobre o atentado — relacionadas com a ligação do principal suspeito, Mohamed Lahouaiej-Bouhlel, ao Estado Islâmico, — uma relação que não tem convencido todos os quadrantes políticos e que tem sido vista pela oposição como precipitada.

Valls esclarece que só o facto de o suspeito, de nacionalidade tunisina, ter atuado num “período simbólico”, que é o 14 de julho em França, de ter por objetivo fazer “o maior número de vítimas” e “usar todos os meios à sua disposição” para isso, já o colocam nos parâmetros do Estado Islâmico. “A reivindicação, na manhã de sábado, do Estado Islâmico” só veio comprovar, no seu ponto de vista, a rápida radicalização do supseito e o poder desta organização terrorista.

Morreram 84 pessoas em Nice, atropeladas pelo camião conduzido por Mohamed Lahouaiej-Bouhlel, durante as comemorações do 14 de julho. Houve registo de mais de 300 feridos. O suspeito, no entanto, não respeitava o Ramadão, bebia e fumava e já tinha tido acompanhamento psicológico na Tunísia. O Estado Islâmico reivindicou o atentado na manhã de sábado, dizendo que Bouhlel era um soldado deles.