Quando Donald Trump colocou em bolsa as ações dos seus hotéis em Atlantic City, houve muita gente que “foi na cantiga” e investiu numa empresa que perdeu dinheiro, ano após ano. Teria sido um melhor investimento pedir a um macaco que atirasse dardos a uma página de jornal com os nomes das empresas cotadas, e investir nas empresas onde caíssem os dardos. Esta foi a forma escolhida pelo conhecido investidor e filantropo Warren Buffett para colocar em questão a tese de que Donald Trump é um excelente empresário e que, portanto, seria um bom Presidente.

Num discurso na sua terra-natal, Omaha (Nebraska), Warren Buffett tornou-se o último trunfo da campanha de Hillary Clinton na corrida à Casa Branca. Buffett é um investidor bolsista mas está longe de ser visto como um especulador — prefere uma abordagem de investimento duradouro e de recuperação de empresas à beira da falência que o tornou uma figura muito respeitada na sociedade norte-americana.

Buffett, hoje com 85 anos, criticou Donald Trump por se recusar a divulgar a sua declaração de rendimentos, o que para o filantropo é um sinal de que tem muito a esconder do povo norte-americano cujo voto está a pedir.

Trump tem-se escudado no facto de estar sob auditoria – rotineira – do fisco, mas Buffett diz que isso não é mais do que uma desculpa. “Eu também estou a ser sujeito a uma auditoria, e tenho todo o gosto em encontrar-me com Donald Trump um dia qualquer, num lugar qualquer, antes das eleições. Eu levo a minha declaração de rendimentos, ele traz a dele e vamos permitir que as pessoas façam as perguntas que quiserem sobre alguns elementos que lá se encontram”.

Warren Buffett é o mais recente empresário de sucesso a recomendar o voto em Hillary Clinton, depois do ex-mayor de Nova Iorque Michael Bloomberg e do investidor Mark Cuban. As declarações de voto podem ter ajudado a candidata democrata Hillary Clinton a ganhar alguma vantagem sobre Trump nas sondagens — há poucas semanas os dois candidatos estavam empatados com 42% das intenções de voto mas uma sondagem da CBS divulgada esta segunda-feira coloca Clinton em vantagem, 46% contra 39%.