A comunidade científica entrou em alvoroço quando, na última sexta-feira, um grupo de cientistas russos afirmou ter recebido um “sinal misterioso” vindo da estrela HD164595, um corpo celeste muito semelhante ao Sol para onde foi enviada a Mensagem Aricebo em 1974. De acordo com Alexander Panov, porta-voz dos cientistas, esse sinal foi recebido pelo radiotelescópio RATAN-600, localizado em Zelenchukskaya, na Rússia. Para alguns membros da comunidade científica, este sinal — enviado a 95 anos-luz de nós na constelação de Hércules — podia ser uma primeira resposta para as múltiplas tentativas de comunicar com vida além da Terra.

No site Centauri Dreams“, o explorador Paul Gilster escreveu que o sinal “tinha força suficiente para ser enviado por uma civilização tecnologicamente avançada o suficiente para aproveitar a energia da sua própria estrela”. Andrew Siemion, diretor do centro de investigação Berkeley SETI, foi mais cauteloso e lançou três teorias que explicam este sinal: pode ser “um fenómeno astrofísico natural”; pode ser uma interferência de ondas rádio vindas da própria Terra; ou pode também ser um sinal enviado de uma fonte avançada de tecnologia numa estrela distante. Se a última possibilidade se confirmar, esta seria a primeira resposta a um sinal com 1.679 impulsos de código binário que enviámos ao agrupamento globular estelar M 13 em 1974 na esperança de comunicar com vida extraterrestre.

Mas não se confirmou: o sinal recebido na Rússia não foi mais que o resultado de uma interferência com ondas rádio terrestres, provavelmente de um satélite militar russo. E a New Scientist explica “porque é que sinais estranhos nunca são realmente de extraterrestres”. Este sinal, por exemplo, dificilmente podia ter vindo de tão longe: de acordo com Seth Shostak, um dos cientistas do Instituto SETI na Califórnia, um extraterrestre na estrela HD164595 precisaria de consumir toda a energia desse corpo celeste para que o sinal chegasse até nós com as características com que foi detetada. E isso corresponderia “a todo o consumo de energia da História da humanidade”.