Bruce Springsteen criticou Donald Trump ao dizer que os Estados Unidos “estão sob o cerco de um idiota”, numa entrevista realizada pela revista Rolling Stone. Numa antecipação da entrevista, que será publicada na próxima edição da revista, em outubro, o músico diz que o “fenómeno Trump” é uma “tragédia”. “As ideias que [Trump] está a trazer para o mainstream são todas muito perigosas – nacionalismo branco e o movimento de extrema direita”, justifica.

Springsteen acredita que as pessoas se interessam pelo candidato republicano à disputa pela Casa Branca porque “querem alguém que diz que tem soluções” para os problemas da sociedade norte-americana, como a desindustrialização e a globalização. “O ponto de Trump é [dar] respostas simples para questões muito complexas, [dar] respostas falaciosas para questões complexas. E isto pode ser muito atraente”, defende.

O músico discordou da afirmação de que se se sente “pouco entusiasmado” por Hillary Clinton, feita pela Rolling Stone. “Gosto de Hillary. Acho que ela seria uma Presidente muito, muito boa”.

Conhecido por ser ser uma voz política na indústria da música, já criticou abertamente George W. Bush, apoiou Barack Obama na sua eleição e chegou a cancelar concertos na Carolina do Norte depois de aprovada a chamada “lei da casa de banho” que obriga pessoas transgénero a usar a casa de banho do género com que nasceram e não a do género com que se identificam. O músico tem-se mantido “silencioso” em relação às eleições presidenciais deste ano, até agora.

Springsteen reconheceu à revista, no entanto, que “não perdeu a fé” no poder dos músicos para fazer mudanças no mundo. “Não perdi a fé no que considero ser uma pequena quantidade de impacto que alguém da música rock pode ter. Não acho que as pessoas vão ver músicos pelos seus pontos de vista políticos. Acredito que o seu ponto de vista são circunstâncias e como foram alimentadas e educadas. Mas é válido dar uma oportunidade [de posionar-se] quando é a única coisa que tens”, assegura.

Springsteen edita a 27 de setembro, em Portugal, a autobiografia Born to run e a compilação Chapter and verse, a 23 de setembro, que inclui 18 temas, dos quais cinco nunca antes editados. Segundo o músico, o alinhamento foi pensado para registar o seu percurso, em paralelo ao que se poderá ler no livro.