Ana Gomes, deputada do Parlamento Europeu, propôs medidas de asilo no nosso país para cerca de meio milhar de refugiados yazidi, uma minoria de língua curda perseguida pelo grupo jihadista do Estado Islâmico, e que estão agora em campos para refugiados na Grécia. A maior parte são grupos familiares, sobretudo mulheres e crianças, vindos todos da mesma aldeia.

Embora a proposta tenha sido avançada pelo governo português há seis meses, o governo grego ainda não concedeu a aprovação.

De acordo com o Diário de Notícias, este tema já foi debatido em conversa, no mês passado, entre o ministro adjunto Eduardo Cabrita, a ministra da administração interna, Constança Urbano de Sousa e o ministro adjunto da defesa da Grécia.

Uma fonte oficial deste gabinete admitiu ao DN que a ideia é contrariar aquilo que tem acontecido, deixar de dispersar os refugiados por vários pontos do país e passar a manter o grupo unido, o que poderá facilitar a sua integração e proteção.

De acordo com a ministra Constança Urbano de Sousa, existem vários processos burocráticos que devem ser cumpridos. Lembra que os yazidi “terão de proceder ao pré-registo na Grécia e indicar Portugal como primeira opção de acolhimento, o que nem sempre ocorre”.

A eurodeputada Ana Gomes recebeu, este mês, uma carta enviada pelo ministro grego da imigração, Ioannis Mouzalas, em que é referida a proibição de “critérios discriminatórios” na seleção dos refugiados e valorizadas situações de maior vulnerabilidade. A deputada, em resposta a estas declarações, diz que todas as situações, neste caso, são vulneráveis, e existem demasiadas burocracias, desde exigirem pré-registos até “registos com entrevistas via skype, quando todos sabem que nos campos de refugiados a rede de internet é muito complicada”, refere Ana Gomes ao DN.

A comunidade Yazidi, uma das mais massacradas e perseguidas pelo Daesh, no Iraque, inicialmente queria ir para a Alemanha. Como não foi possível, “concordaram em vir para Portugal”, diz Ana Gomes, que não se conforma com os impedimentos do governo de Aléxis Tsípras.

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