Sanna e Hajar, de 16 e 17 anos, encontraram-se no telhado de uma casa na cidade de Marraquexe, uma das principais cidades e ponto turístico de Marrocos. Até aqui tudo bem, não fossem elas ter cometido um terrível “crime”: beijaram-se na boca e abraçaram-se. É que em Marrocos a homossexualidade é proibida.

Alguém que ia a passar fotografou o momento e mostrou aos familiares das raparigas, que as entregaram de imediato à polícia.

Agora, são acusadas por “atos homossexuais” e aguardam julgamento, marcado para esta sexta-feira no Tribunal de Primeira Instância de Marraquexe. Em Marrocos a homossexualidade é punível por lei. Na melhor das hipóteses, com uma multa entre os 120 dirhams (11 euros) e os 1.200 dirhams (110 euros) ou, no pior dos cenários, com seis meses a três anos de prisão. Também o adultério e as relações extraconjugais são condenados.

Quem o diz é o controverso artigo 489 do Código Penal marroquino, que recrimina os “atos licenciosos ou não naturais com um indivíduo do mesmo sexo”. A Moroccan Association of Human Rights tem lutado contra a legislação e arranjou um advogado para defender as jovens.

Os homossexuais não têm nenhum direito em Marrocos. Fecham a boca, têm de esconder o que são ou deixar o país. O país não avança devido aos atos homofóbicos no território. Os homossexuais não podem sair do armário por que correm o risco de ser expulsos pela sua própria família. Depois, não têm onde ficar”, conta Hicham Tahir, escritor marroquino, ao El Mundo.

Somam-se os casos de punição da homossexualidade em Marrocos. Em 2014, Ray Cole passou 20 dias na prisão de Marraquexe por ter cometido “atos homossexuais”. Ao The Independent, contou que a prisão onde esteve era semelhante a um campo de concentração. Em abril de 2015, um casal gay foi condenado a seis meses de prisão por se ter beijado no pátio do Tour Hassan, um dos monumentos mais importantes de Marrocos. Em março deste ano, dois homens partilhavam a mesma cama na cidade de Beni Mellal, no centro de Marrocos, quando foram atacados por vizinhos que entraram na casa, bateram-lhes e ainda filmaram tudo.

Mas não é apenas Marrocos que condena a relação entre pessoas do mesmo sexo. A homossexualidade é considerada crime em cerca de 75 países, entre os quais o Afeganistão, Paquistão, Mauritânia, Qatar, Emiratos Árabes e algumas regiões da Somália e da Nigéria. A condenação máxima chega a ser a morte.