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Sociedade

Investigar para melhor cuidar

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Todos procuramos saber o mesmo: quem está mais à frente na ciência, na Medicina, no estudo das possibilidades de tratamento e cura das doenças que nos afligem.

Laurinda Alves será a moderadora da conferência do próximo dia 23 / OBSERVADOR

Autores
  • Laurinda Alves

A investigação clínica e científica permitem-nos acreditar que há mais, muito mais para além do que a vista alcança. Para além do que consegue ver um cidadão normal, a quem tanta coisa imprevista acontece ou pode vir a acontecer.

O nosso encantamento com a descoberta leva-nos a dar passos em frente e saltos para o desconhecido. Todos os dias há notícias de novas terapêuticas, novas formas de diagnóstico e mais probabilidades de cura.

Os avanços da Ciência e, em especial, das neurociências prendem a nossa atenção sempre que parecem dar resposta aos nossos anseios primordiais. Saber como reage o cérebro e como funciona o corpo; perceber o impacto dos estímulos nas respostas do organismo, mas também na atitude de cada um, na vida do dia a dia, é fascinante.

Muita desta matéria estará em discussão no palco de mais uma conversa offline, promovida pelo Observador, transmitida em direto a partir do Museu do Oriente, já na próxima quarta-feira, 23 de novembro, entre as 18h e as 20h.

O ponto de partida para este encontro é percebermos o que está ao nosso alcance e o que podemos fazer para que a vida não pare, mesmo quando a vida de cada um fica suspensa de acontecimentos mais ou menos inesperados, mais e menos dramáticos.

Tiago Marques, cientista e investigador na área das neurociências, a fazer os seus estudos de doutoramento no Laboratório de Circuitos Corticais, do Champalimaud Research, tenta perceber (entre muitas outras coisas) como é que o cérebro responde ao imprevisto e é precisamente esta a perspetiva que vem acrescentar ao debate público.

Joana Rigato, Filósofa da Ciência, trabalha em articulação com neurocientistas e dedica-se ao estudo do livre arbítrio, bem como à forma como a Ciência pode ter em conta a experiência subjetiva das pessoas. Neste sentido, ambos os investigadores falarão dos processos de tomada de decisão e da forma como lidamos e processamos os imponderáveis da vida.

Uma discussão sobre temas tão sensíveis e complexos como estes que o Observador se propõe abrir ao público, convocando leitores e especialistas, só pode dar frutos se partirmos da experiência de quem foi obrigado a mudar toda a sua realidade, depois de ter sido confrontado com aquilo que ninguém espera da vida.

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A presença de Salvador Mendes de Almeida, que ficou tetraplégico aos 16 anos, depois de ter sido vítima de um acidente de mota, é fundamental para percebermos como podemos reagir aos acontecimentos mais dolorosos e traumáticos. Fundador da Associação Salvador, não deixou que a vida o parasse e o seu exemplo é iluminante para todos os que conhecem a sua história e acompanham o seu percurso.

Há um par de meses Salvador Mendes de Almeida esteve nos Estados Unidos, num centro de reabilitação e investigação, onde uma nata de especialistas pesquisam e testam formas inovadoras de tratar e cuidar de pessoas vítimas de acidentes ou doenças, e também esta sua experiência vai acrescentar valor ao debate, pois pela primeira vez em 17 anos foi capaz de voltar a ficar de pé e a ter a sensação de caminhar.

Tão importantes como as histórias de vida, as comunicações dos médicos e cientistas, são os testemunhos dos cuidadores que diariamente estão ao lado de doentes ou vítimas de acidentes apostados na superação diária. Nesta lógica, o encontro de dia 23 não ficaria completo se não fosse dada voz a quem também é capaz de se transcender para minimizar os sofrimentos dos outros.

E para amortecer o impacto das suas limitações. Jaume Pradas, músico, pode não ser o cuidador-padrão, no sentido de estar diariamente à cabeceira de pessoas doentes ou acidentadas, mas cuida de dar amplitude de movimentos a uma pessoa que vive cheia de limitações e condicionalismos.

Jaume Pradas corre meias-maratonas a empurrar a cadeira de rodas de Mafalda Ribeiro, que nasceu com osteogénese imperfeita, a chamada ‘doença dos ossos de vidro’, e tem uma mobilidade muito reduzida. Cuidar de alguém como a Mafalda Ribeiro também passa por lhe dar liberdade e contribuir para que seja capaz de andar e correr como se não fosse portadora de uma doença tão incapacitante.

As imagens das maratonas que correm juntos são marcantes e ficam para sempre gravadas na memória de quem vê, mas as histórias que cada um conta, no seu papel de cuidador e pessoa bem cuidada, são extraordinariamente impressivas e mobilizadoras. Desafiam a ir mais longe em todos os sentidos. E impedem de desistir ou de baixar os braços.

Finalmente e porque a vida está atravessada de acontecimentos imprevistos, estará presente neste debate uma especialista em Ciências Actuariais, com responsabilidade direta nas áreas de prestação médica e serviço ao cliente. Maria João Salles Luís representa a Fidelidade, patrocinadora do debate organizado pelo Observador, e traz consigo uma longa experiência neste interface entre doentes ou vítimas e suas famílias, médicos, cuidadores e prestadores de serviços.

Durante duas horas todos estes oradores falarão diretamente com o público presente na plateia real, mas também ficarão disponíveis para breves diálogos ou respostas a questões postas pela audiência virtual, esclarecendo dúvidas ou acrescentando pontos de vista a quem lê e acompanha o Observador dentro e fora do país.

A entrada é livre e vale a pena ouvir os convidados deste debate pois todos estão na linha da frente das suas áreas de especialidade e atuação. O contributo de cada um é uma enorme mais valia para uma reflexão coletiva sobre mais e melhores maneiras de conseguirmos que a vida nunca nos pare.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

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Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

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