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Pós-verdade. A palavra do ano deve-se a Trump e ao Brexit

A palavra do ano é escolhida pela instituição que edita o prestigiado Dicionário Oxford. A deste ano é usada para descrever as formas de política usadas no Brexit e na eleição de Trump.

Nigel Farage, o principal líder da campanha pelo Brexit, e Donald Trump, novo presidente dos Estados Unidos

Getty Images

A palavra do ano 2016, escolhida anualmente pelo Dicionário Oxford, é pós-verdade. Depois de ter escolhido emoji como a palavra do ano 2015, a prestigiada instituição que edita o dicionário optou pela expressão pós-verdade para representar este ano que agora chega ao fim. De acordo com a página do Dicionário Oxford na Internet, trata-se de um adjetivo relativo a “circunstâncias em que os factos objetivos são têm menos influência na formação de opinião pública do que os apelos emocionais e as crenças pessoais”.

Este ano, a palavra surge no contexto do Brexit e da eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos. Segundo a Dicionário Oxford, “o conceito de pós-verdade tem estado a fervilhar desde a década passada”, mas houve um aumento “de frequência este ano no contexto do referendo sobre o Brexit e da eleição presidencial dos Estados Unidos, e ficou sobretudo associada a uma expressão particular, na frase política da pós-verdade“.

É importante referir que o prefixo ‘pós’ não se refere exclusivamente a um acontecimento posterior ao outro, mas também a uma rejeição ou negação do primeiro conceito. Neste caso, a expressão pós-verdade significa a rejeição dos factos em benefício das opiniões e emoções. A política da pós-verdade é um conceito muito associado ao Brexit e à eleição de Trump, acontecimentos em que os discursos fortes dos protagonistas tiveram, argumenta o Dicionário Oxford, mais valor do que a verdade.

A instituição analisou a frequência de utilização da palavra e concluiu que em 2016 houve um aumento de 2.000% em relação a 2015. A palavra foi sobretudo usada em dois momentos específicos do ano. Houve um primeiro pico em junho, altura do referendo relativo à saída do Reino Unido da União Europeia, e um segundo em outubro, pouco antes das eleições norte-americanas.

Na lista de nomeadas para a palavra do ano 2016, havia ainda mais nove expressões:

  • Alt-right: ideologia dos EUA caracterizada pelo conservadorismo, recusa da política tradicional, e utilização da internet para difundir mensagens polémicas.
  • Glass-cliff (penhasco de vidro): quando uma pessoa proveniente de uma minoria sobre a uma posição de liderança, correndo grandes riscos de fracasso.
  • Hygge: sensação de bem-estar causada pela convivência saudável.
  • Chatbot: um programa de computador que simula conversas de chat com humanos, cada vez mais usado pelas marcas para comunicar com os clientes.
  • Adulting: o processo de passar a comportar-se como um adulto.
  • Brexiteer: uma pessoa a favor do Brexit.
  • Woke (acordar): palavra americana utilizada para descrever alguém que acorda para as injustiças sociais.
  • Coulrofobia: o medo de palhaços.
  • Latinx: um descendente da América Latina (palavra neutra em termos de género).

Em Portugal, a Porto Editora também escolhe, em janeiro de cada ano, a palavra do ano anterior. Em 2015, a palavra do ano foi refugiado.

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