O líder do Partido Comunista Português iliba o Governo no caso da Caixa Geral de Depósitos e defende que “nenhum compromisso contorna a lei”. Em entrevista à Rádio Renascença, Jerónimo de Sousa lamentou o arrastar de um processo que poderá ter efeitos negativos para a recapitalização do banco.

“Continuo a insistir que não pode haver aqui filhos e enteados em termos da declaração de rendimentos e de património porque todos nós o fazemos, todos aqueles que têm cargos políticos, que têm responsabilidades maiores em termos de quadros do Estado. Não se percebe tanta resistência”, explica o secretário-geral do PCP.

Quanto à responsabilidade do Governo neste caso, Jerónimo de Sousa prefere apontar o foco para o TC. “[O Governo] não tem a possibilidade de uma intervenção direta, tendo em conta que o poder institucional está nas mãos do Tribunal Constitucional. Portanto, o desfecho do processo está nas mãos da administração [do banco].”

A natureza do PCP continua a ser a de “um partido de luta”, mais do que de “um partido de protesto”, diz o secretário-geral do partido, rejeitando assim a ideia de uma atitude mais passiva. “Independentemente das convergências encontradas, designadamente em relação ao Governo do PS, há um elemento estratégico fundamental que vai determinar muito o futuro: é a luta dos trabalhadores e do nosso povo. A luta não está dispensada. Antes pelo contrário: justifica-se plenamente.