Os negócios de Cristiano Ronaldo com várias multinacionais estão sob suspeita. O site Football Leaks divulgou informações sobre a empresa irlandesa a que o jogador do Real Madrid recorreu para negociar a exploração dos seus direitos de imagem permitiu pagar metade dos impostos que pagaria, caso esses contratos fossem negociados em Espanha. Um representante oficial do jogador já veio garantir que “todos os negócios” do capitão da seleção nacional de futebol “foram efetuados de acordo com a legislação em vigor.

O caso foi denunciado esta quinta-feira. Segundo o espanhol El Confidencial, com base em documentos divulgados pelo site Football Leaks, a empresa Multisports & Image Management (MIM) Limited, a que Ronaldo recorreu para negociar vários contratos de publicidade, é gerida por advogados especializados em manobras empresariais que garantem aos seus clientes responsabilidades fiscais mais atrativas (entenda-se, que lhes permitem pagar menos impostos pelos negócios que vão desenvolvendo). No percurso da MIM, Ltd. surgem ligações a paraísos fiscais.

A MIM, Ltd. está ligada a Ronaldo nos contratos de publicidade estabelecidos com a empresa de artigos de desporto Nike, com a empresa de bens alimentares Unilever, com a empresa que desenvolve o jogo Pro Evolution Soccer (a Konami), com a Toyota, com a cadeia alimentar Kentucky Fried Chicken (KFC) e, entre outros, em Portugal, com o antigo Banco Espírito Santo, revela o El Confidencial.

Na prática, a relação com a MIM, Ltd., sediada na Irlanda, permitiu a Cristiano Ronaldo pagar 12,5% de Imposto de Sociedades quando, em Espanha, esse imposto chega aos 43,5%. As autoridades espanholas suspeitam de que a empresa não atue realmente em território irlandês mas que se limite a aproveitar a sua morada em Dublin e os testas-de-ferro que a representam para garantir vantagens fiscais para os seus clientes.

O El Confidencial refere, por exemplo, que a empresa divide escritório no terceiro andar de um edifício bem localizado em Dublin com uma centena de outras sociedades, algumas das quais implicadas na gestão da própria MIM, Ltd.

A considerarem que há, de facto, irregularidades nos contratos assinados para a gestão da sua imagem, as autoridades espanholas poderão pedir responsabilidades a Cristiano Ronaldo. Responsabilidades que podem passar pelo pagamento da diferença fiscal entre os dois países e de uma sanção económica. Mas o caso pode ser mais grave, explica o El Confidencial, citando fontes do setor tributário. Se o jogador não tiver sequer declarado a sua relação com a empresa irlandesa, Ronaldo pode ser processado por um eventual crime de fraude fiscal.

Ao mesmo jornal, o agente garante que “o jogador tem cumprido todas as obrigações fiscais desde o início da carreira”, acrescentando que Ronaldo não está nem nunca esteve implicado em qualquer problema com as autoridades fiscais de qualquer país”, além de garantir que “todos os seus direitos [de imagem] foram geridos de acordo com a legislação em vigor”.

Ronaldo não é o primeiro jogador a merecer a atenção das autoridades tributárias. Sobre Samuel Eto’o, por exemplo, pende um pedido de prisão de 10 anos e uma pagamento de quase 70 milhões de euros pela simulação da cedência dos direitos de imagem à sociedade húngara Tradesport and Marketing Kft entre 2006 e 2009, anos em que representou o Barcelona.