A recapitalização com dinheiro de fundos privados do banco italiano Monte dei Paschi di Siena falhou esta quarta-feira, forçando o Estado italiano a entrar com dinheiro para impedir a falência do terceiro maior banco de Itália. A resolução pode impor perdas aos depositantes e aos investidores que compraram dívida a retalho.

A novela que se arrastava há alguns meses deverá finalmente ter um desfecho nos próximos dias. O terceiro maior banco por ativos italiano tinha pedido ao Banco Central Europeu mais três semanas para aumentar o capital – o prazo terminava no final do ano -, mas o BCE entendeu que estas três semanas não fariam diferença e por isso não deu mais tempo ao banco. Resultado: um falhanço espetacular.

A complexa operação para aumentar o capital do histórico banco italiano em cinco mil milhões de euros falhou porque o banco, juntamente com o JPMorgan que montou a operação, não conseguiu encontrar um investidor de referência, avança o jornal britânico Financial Times.

Falhada a operação, resta agora a opção mais habitual nos últimos anos: o dinheiro dos contribuintes.

O resultado era esperado, de tal forma que o Parlamento italiano aprovou esta quarta-feira um aumento do limite de endividamento do Estado italiano em 20 mil milhões de euros. Ou seja, Itália pode endividar-se em mais 20 mil milhões que o previsto no início do ano para resgatar bancos, não necessariamente apenas o Monte dei Paschi di Siena.

Mas o jornal britânico avança que a operação já está desenhada. O Estado, de acordo com o jornal que cita fontes não identificadas, irá ficar com entre 50% e 70% do capital, uma percentagem mais que suficiente para ficar com as rédeas do banco.

A operação, à luz das regras europeias, vai impor perdas sobre os investidores privados, podendo chegar mesmo aos depósitos acima de 100 mil euros e à dívida comprada pelas famílias no retalho.

A situação do banco não para de piorar. O Monte dei Paschi perdeu 14 mil milhões de euros de depósitos, mais de um décimo dos depósitos do banco, nos primeiros nove meses do ano, e as suas ações estão nesta altura suspensas de negociação depois de caírem 16% só na sessão desta quarta-feira.

O Monte dei Paschi di Siena perdeu 87% do seu valor de mercado na bolsa este ano.