A Amnistia Internacional denunciou, esta quinta-feira, que crianças morrem, sofrem lesões “atrozes” e testemunham “cenas traumatizantes que ninguém deveria ver” em Mosul, cidade que o exército iraquiano tenta recuperar ao grupo radical Estado Islâmico.

Mosul, a segunda maior cidade do Iraque, foi palco de combates depois do lançamento, há dois meses, de uma ofensiva que visa expulsar os radicais do Estado Islâmico.

As forças armadas iraquianas, apoiadas por uma coligação internacional, conseguiram recuperar o controlo de zonas no leste da cidade, mas o Estado Islâmico continua a controlar o oeste e os combates na rua são descritos como bastante violentos.

No relatório divulgado esta quinta-feira, a Amnistia Internacional refere como as crianças “envolvidas na batalha brutal de Mosul viram coisas que ninguém, independentemente da idade, deve ver”, explicou Donatella Rovera, conselheira daquela ONG para as situações de crise.

“Encontrei crianças que sofreram lesões atrozes e viram os seus familiares e vizinhos decapitados por obuses, retalhados por carros bomba, esmagados sob os escombros das suas casas”, continuou.

Noutro relatório, publicado na quarta-feira, a Human Rights Watch já tinha referido que os radicais do Estado Islâmico visavam “deliberadamente” os civis que recusam servir de “escudos humanos” e as mortes de civis causadas por ataques aéreos da coligação internacional e do exército iraquiano.