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Os críticos internos do PSD começam a vir a público. O antigo vice-presidente do PSD, Carlos Encarnação, criticou duramente Passos Coelho em declarações à Antena 1, dizendo que Passos deve convocar a direção e o Conselho Nacional para discutir a situação do partido. E vai mais longe ao dizer que, dessa reunião dos órgãos nacionais, “provavelmente” sairia um “congresso extraordinário”, até porque, no PSD, “as pessoas estão inquietas”.

O antigo presidente da Câmara Municipal de Coimbra aconselha Passos “deve com a sua consciência questionar qual o seu papel. Será que estou a ser útil?” Falou ainda sobre o falhanço estratégico em Lisboa, dossier que deve levar o PSD a “bater com a mão na cabeça” e pensar no que está a fazer. Na mesma entrevista à Antena 1, Carlos Encarnação, comentou um eventual avanço do líder do PSD como candidato a Lisboa, dizendo que essa opção seria “a maior maior maldade que lhe podiam fazer, porque teria um mau resultado. Não acredito que ele, querendo conservar-se como líder, vá nessa.” Carlos Encarnação recusa-se, no entanto a propor alternativas a Passos.

Eu não discuto líderes. Na minha ideia, um líder destrói-se e um líder constrói-se por si próprio. Não vale a pena ajudar. Não vale a pena estarmos a atirar nomes para a fogueira e dizer que este é melhor que aquele. Não é essa a questão. O que eu sei é que isto não está bem e que com o caminho que levamos não chegamos lá. O país precisa mais de nós, nós PSD, nós sociais-democratas”, disse o ex-deputado.

Muito áspero para Passos, o ex-autarca fala “numa situação paradoxal curiosa”, em que “temos um primeiro ministro de facto e temos um primeiro-ministro de fato. O de fato é o Pedro Passos Coelho, o de facto é o António Costa. O que acontece, na verdade, é que temos um primeiro-ministro e temos um primeiro-ministro que está convencido que é.” Carlos Encarnação diz que Passos “pensa que ainda é primeiro-ministro, veste-se como fosse primeiro-ministro e está convencido que ainda vai ser.”

Carlos Encarnação está atualmente afastado da política e foi eleito deputado, pela primeira vez, em 1987. Três anos depois foi nomeado Governador Civil de Coimbra. Foi deputado entre 1987 e 1999, chegando a vice-presidente da bancada em 1988, 1995 e 1999, tendo também integrado todas comissões de revisão constitucional. Chegou a ser presidente da Comissão dos Negócios Estrangeiros (1989). No partido, foi presidente do Conselho de Jurisdição Nacional, vice-presidente do partido e diretor do jornal “Povo Livre”.

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