Aí estão os primeiros testes de segurança levados a cabo pelo Euro NCAP neste novo ano de 2017. Os visados, os novos S90/V90 da Volvo, e o desportivo Mustang, naquela que é a primeira geração do emblemático muscle car da Ford a ser comercializada na Europa. Os resultados, esses, dificilmente podiam ter sido mais díspares.

Segundo adianta o próprio consórcio, os novos familiares de topo da marca sueca beneficiam grandemente das muitas tecnologias já conhecidas do XC90, tendo acabado por alcançar um resultado brilhante em todas as áreas avaliadas pelo Euro NCAP. Contando de série com travagem autónoma de emergência, capaz de reconhecer tanto veículos como peões, para além dos assistentes à manutenção na faixa de rodagem e do cruise control activo, S90 e V90 acabaram por alcançar um resultado melhor do que o obtido por qualquer modelo testado pelo Euro NCAP em 2016.

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Assim sendo, foram-lhes atribuídas as cinco estrelas na classificação final global, com resultados parciais de 95% na protecção dos passageiros adultos, 80% na protecção das crianças, 76% na protecção dos peões e 93% nos sistemas de auxílio à condução destinados a incrementar a segurança. Não menos relevante, o facto de S90 e V90 passarem a integrar a lista dos três melhores automóveis, em termos de segurança, entre todos os até hoje avaliados pela organização – sendo este top 3, por sinal, integralmente constituído por modelos da Volvo.

Mustang surpreende. Pela negativa

Por oposição, o Ford Mustang não foi merecedor de mais do que duas estrelas nos testes agora realizados. Para o Euro NCAP, são preocupantes quer a protecção conferida tanto aos adultos como às crianças em caso de embate, quer a ausência de dispositivos de segurança que são já hoje bastante comuns no mercado europeu, e mais ainda a este nível.

O consórcio conclui mesmo que o ADN do icónico muscle car foi definido para que este pudesse alcançar um desempenho positivo nos menos abrangentes, e exigentes, testes de segurança realizados nos EUA. Com a sua versão destinada ao Velho Continente a receber apenas ligeiras alterações, de forma a poder cumprir as normas europeias de protecção de peões, mas dispensando o sistema de alerta de colisão dianteira com que é proposto no mercado de origem.

Em face de tudo isto, o Mustang não foi além de 72% na protecção dos passageiros adultos, de uns sofríveis 32% na protecção de crianças, de 64% na protecção dos peões e de uns paupérrimos 16% no que diz respeito à inclusão de tecnologias destinadas a aumentar a segurança. O Euro NCAP faz ainda saber que, no teste de embate frontal descentrado, os airbags dianteiros do Mustang não insuflaram o suficiente para reter devidamente os ocupantes; que, no embate totalmente frontal, a ausência de pré-tensores e limitadores de esforço nos cintos traseiros permite que o ocupante do banco posterior deslize sob o cinto, o que aumenta exponencialmente o risco de lesões abdominais; e que, no teste de embate lateral, a cabeça do dummy que representa uma criança de 10 anos embateu contra o revestimento interior que é solto aquando da insuflação do airbag de cortina.

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A propósito desta ronda de testes, o secretário-geral do Euro NCAP, Michiel van Ratingen, realçou que, no que diz respeito ao investimento feito pela Volvo em matéria de segurança, os resultados agora alcançados falam por si. Quanto ao desportivo da Ford, foi bastante mais duro: “A Ford não esperava que o Euro NCAP testasse o Mustang e optou por não instalar, na Europa, tecnologias de segurança que estão disponíveis para os seus clientes norte-americanos, e, já agora, que são propostas por muitos outros automóveis desportivos. Esta atitude perante a segurança deverá preocupar os clientes da Ford, sejam eles compradores de um potente muscle car ou de um convencional veículo familiar.”

Em resposta, a Ford anunciou que ainda este ano estará disponível um Mustang actualizado, em termos estéticos e não só, e dotado de série dos assistentes de pré-colisão e de manutenção na faixa de rodagem. O Euro NCAP espera, naturalmente, poder testar a segurança deste modelo actualizado quando o mesmo estiver disponível no mercado europeu, mas Michiel van Ratingen não desarma: “Para nós, claro que será bem vindo qualquer melhoramento, e esperamos poder publicar uma nova classificação para o modelo actualizado. Contudo, poderão ser necessárias mais actualizações fundamentais se o Mustang pretender obter um resultado significativamente melhor. Por isso, esperamos que a Ford aproveite a oportunidade para investir nas alterações necessárias, já hoje, para as futuras gerações do Mustang.”