Uma das últimas decisões de Barack Obama enquanto presidente dos EUA foi adensar as sanções à Rússia, mas agora as relações entre os dois países parecem estar em vias de melhorar. Naquele que foi o primeiro contacto telefónico entre o recém-eleito presidente norte-americano e homólogo russo, Vladimir Putin e Donald Trump anunciaram a intenção de desenvolver relações “de igual para igual”, dando “prioridade” à luta contra o terrorismo e promovendo uma “coordenação real” contra o Estado Islâmico na Síria, segundo se lê num comunicado do Kremlin, divulgado este sábado.

“Ambos manifestaram vontade de trabalhar ativamente e em conjunto para estabilizar e desenvolver a cooperação russo-americana numa base construtiva, de igual para igual e mutuamente vantajosa”, indicou o presidente russo, num comunicado emitido após o primeiro contacto telefónico com o seu homólogo norte-americano, desde a entrada em funções de Donald Trump.

A Casa Branca não deu ainda a sua versão do telefonema, mas o Kremlin aplaudiu a promessa de Trump de restabelecer as relações Estados Unidos-Rússia, que se degradaram devido à crise na Ucrânia, à guerra na Síria e a alegações de interferência da Rússia, nas eleições norte-americanas. Era o telefonema que mais se aguardava neste final da primeira semana de Trump em plenas funções na Casa Branca, já que os dois chefes de Estado ainda não tinham falado desde que saíram a público as alegações de interferência russa no processo eleitoral norte-americano, em suposto favorecimento de Trump, e desde que, na primeira conferência de imprensa que deu, Trump teceu elogios a Putin.

A conversa, que terá durado cerca de 50 minutos, foi “positiva”, segundo os russos, e os dois manifestaram vontade de fortalecerem as relações entre os dois países e de se encontrarem pessoalmente.

No final da sua primeira semana na Sala Oval, Donald Trump fez outros contactos internacionais para além do telefonema a Vladimir Putin. Falou também com a chanceler alemã, Angela Merkel e com o Presidente da França, François Hollande, assim como com os primeiros-ministros do Japão, Shinzo Abe, e da Austrália, Malcolm Turnbull.

A ronda de contactos acontece no mesmo dia em que rebenta a polémica sobre o decreto presidencial, assinado por Trump esta sexta-feira, que proíbe a entrada de cidadãos naturais de países de maioria muçulmana nos EUA. A proibição vai vigorar por pelo menos 90 dias, período em que dura a suspensão do programa de asilo e acolhimento de refugiados, até que outro seja desenhado. Trump fala em questões de “segurança” para combater a entrada de supostos terroristas do Estado Islâmico no país.