Enquanto a ordem executiva de Donald Trump que resultou no fecho de fronteiras dos EUA a refugiados e a pessoas com nacionalidade de sete países de maioria muçulmana causa, para já, a maior onda de polémica do curto mandato do 45.º Presidente dos EUA, uma senadora estatal da Califórnia exigiu à Casa Branca que esclarecesse o historial de migratório da primeira-dama, Melania Trump.

O pedido foi feito por Nancy Skinner, senadora democrata no estado da Califórnia. “Tem havido vários relatos na imprensa que têm base em investigações legítimas que indicam que Melania foi paga por trabalhos de modelo que ocorreram semanas antes de ela ter um visto legal para trabalhar”, disse à rádio local KCBS. “Nós não sabemos, não podemos refutar isso, porque ainda não vimos nenhuma documentação direta da própria Melania que indique o contrário.”

Em novembro, a quatro dias das eleições, a Associated Press (AP) publicou uma investigação onde avançava que Melania Trump trabalhou como modelo em Nova Iorque antes de ter um visto que lhe desse autorização para trabalhar nos EUA. Segundo a AP, a ex-modelo eslovena chegou aos EUA com um visto de turista a 27 de agosto de 1996 e obteve um visto de trabalho a 18 de outubro do mesmo ano. Porém, entre 10 de setembro e 15 de outubro terá recebido pagamentos por 10 sessões.

A questão já tinha sido levantada em agosto, o que levou Donald Trump a prometer que a sua mulher iria fazer uma conferência de imprensa para falar do seu passado como imigrante. Porém, essa conferência de imprensa nunca chegou a acontecer. Em setembro, Melania Trump divulgou na sua conta de Twitter um comunicado onde o seu advogado dizia que negava “inequivocamente” as acusações. O advogado em questão, que já tinha trabalhado para a empresa de Donald Trump, disse ter lido os documentos que diziam respeito ao historial migratório da agora primeira-dama dos EUA. Porém, não partilhou nenhum desses ficheiros.

“Ninguém no campo de Donald Trump divulgou qualquer documentação para indicar qual foi a circunstância ou se ela tinha ou não um estatuto totalmente legal [para trabalhar]”, disse a senadora estatal da Califórnia ao Politico. “Nós só sabemos que um advogado olhou para os documentos que ela lhe quis mostrar.”

A exigência de Nancy Skinner tem semelhanças com uma das “causas” a que Donald Trump se entregou com mais fervor nos anos que antecederam a sua entrada efetiva e declarada na política dos EUA. Ainda antes de ser candidato à Casa Branca, Donald Trump foi uma das personalidades mais empenhadas no questionamento da nacionalidade de Barack Obama, quando ele ainda era Presidente dos EUA. Barack Obama, filho de mãe norte-americana e pai queniano, nasceu no estado do Havai, como ficou demonstrado no certificado de nascimento que a Casa Branca tornou disponível perante as suspeitas levantadas por Donald Trump.