Os dispositivos de monitorização de atividade vêm, por norma, com uma recomendação: há que andar 10 mil passos por dia. Mas será esse um exercício ideal para todos? Greg Hager, especialista em ciência computacional na Universidade Johns Hopkins, afirma que muitas aplicações e dispositivos não têm nenhuma prova de que esse é um bom exercício para todos, explica o The Telegraph.

Hager explicou, durante a reunião anual da Associação Americana de Avanços da Ciência, em Boston, que a meta dos 10 mil passos por dia foi baseada num único estudo japonês de 1960. “Alguns de vocês podem estar a utilizar o Fitbits ou algo equivalente e aposto que às vezes recebem uma mensagem cool a dizer ‘conseguiu fazer 10 mil passos hoje?'”, disse Hager questionando de seguida o porquê a importância dos 10 mil passos. “Será esse o número certo para todos os presentes? Quem sabe? É apenas um número que está implementado nas aplicações”.

O especialista defende que é possível que estas aplicações estejam a ter um efeito negativo em vez de positivo, como era suposto.

Segundo Simon Leigh, economista na área da saúde, “é pouco provável que qualquer especialista recomende uma média de 10 mil passos para a maioria das pessoas”.

Esta afirmação acaba por fortalecer a pesquisa levada a cabo pela Universidade de Pittsburgh que indica que as pessoa, que utilizam dispositivos wearable, acabam por perder menos peso do que as que seguem as técnicas tradicionais para perderem peso (sem uma monitorização constante).

Os 10 mil passos acabam por ser uma meta difícil de alcançar para um utilizador que esteja habituado a um ritmo de vida sedentário ou até por alguém mais idoso. Os especialistas recomendam que se tenha um certo cuidado ao confiar cegamente nestes dispositivos, devendo sempre considerá-los como uma espécie de incentivo e não um objetivo que deve ser cumprido à risca.