Sibéria

Existe uma cratera gigante a abrir-se na Sibéria. E não pára de crescer

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Na Sibéria existe uma cratera que está a aumentar a grande velocidade. Cientistas acreditam que se deve às alterações climáticas, o fenómeno que, ao mesmo tempo, a cratera permite conhecer melhor.

O gelo que está a derreter tem imenso carbono armazenado que, após ser libertado, aumenta o processo de aquecimento global

Junto da bacia do rio Yana, na Sibéria, numa área de solo congelado, existe uma cratera em expansão, batizada de Batagaika. E a sua dimensão está a criar preocupação: um quilómetro de comprimento e 86 metros de profundidade que, segundo conta a BBC, estão a aumentar com o passar do tempo. Os cientistas veem-na como um risco, mas também como uma oportunidade.

Se, por um lado, os moradores locais não se querem nem aproximar (porque dizem que esta é uma porta para o submundo), por outro, os cientistas consideram o fenómeno uma ajuda preciosa para conhecer melhor a evolução do clima. Numa análise preliminar do fenómeno, publicada este mês no “Quaternary Research”, os cientistas que têm estudado a cratera garantem que pela observação das várias camadas do solo que a compõem, é possível entender outro fenómeno: o das alterações climáticas (que é, aliás, o que os especialistas dizem que está a provocar o crescimento do imenso buraco). As várias camadas da cratera permitem o “registo contínuo da história geológica, o que é bastante pouco comum” de encontrar, explica Julian Murton, cientista da Universidade de Sussex, do Reino Unido, citado pela BBC. Aliás, os especialistas acreditam que o estudo da cratera permite revelar 200 mil anos da história do clima, só pela análise das várias camadas.

E porquê? Porque a cratera abre uma janela no solo terrestre, expondo camadas congeladas de forma permanente (que os geólogos classificam de pergelissolo). Este solo é constituído por gelo, rochas e sedimentos, e na cratera existe pergelissolo congelado mais recentemente, mas também com milhares de anos, chegando mesmo da era glacial. A abertura da cratera começou com algumas fissuras no terreno por volta de 1960 , que aceleraram quando a rápida desflorestação expôs demasiado o local à luz solar. O sol entrou diretamente no solo, derretendo-o progressivamente até se chegar ao buraco que existe hoje.

Frank Günther, do Instituto Alfred Wegener, na Alemanha, tem monitorizado o local, juntamente com a sua equipa, há uma década, através de imagens de satélite. O objetivo é acompanhar as mudanças que vão ocorrendo, fazendo medições constantes. Num encontro de geólogos, no final do ano passado, apresentou algumas conclusões e, entre elas, a dimensão do problema: nos últimos 10 anos, essa análise detalhada permitiu aferir que a cratera cresceu a alta velocidade, ou seja, cerca de 10 metros,por ano. “A cratera está a crescer de forma contínua e isso significa que está a ficar mais profunda a cada ano que passa”, explica também em declarações à BBC.

Mas apesar de os especialistas terem ali um precioso elemento de estudo sobre o clima, sobretudo avisam para os riscos que a cratera traz ao mesmo fenómeno que ajuda a perceber melhor: o das alterações climáticas. E isto porque os blocos de gelo que estão agora a ser expostos e que remontam à era glacial têm muita matéria orgânica armazenada, nomeadamente carbono.

Segundo Günther, a quantidade de carbono armazenada no gelo é a mesma que existe na atmosfera e à medida que o carbono vai sendo libertado, sendo consumido por micróbios que, por seu lado, produzem metano e dióxido de carbono que são libertados para a atmosfera, acelerando o aquecimento global. Os especialistas chamam-lhe o “feedback positivo: aquecimento acelera o aquecimento”, explica Frank Günther. O mesmo cientista garante que não há infraestruturas que possam resolver a situação, pelo que acreditam que o futuro da Sibéria está comprometido.

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