A última consola portátil da Nintendo, a Nintendo 3DS, foi lançada em 2011, e a Wii U, consola de sala, chegou às lojas um ano depois. Cinco anos mais tarde e 34 depois do lançamento da Famicom, a Nintendo Switch é a mais recente produção da marca nipónica.

Existem alguns preconceitos que a evolução das consolas criaram que é necessário dissipar para avaliar a Nintendo Switch sendo o primeiro que esta é uma consola de videojogos, e “apenas” isso. Não é um PC, não é um centro de entretenimento que entre acesso à internet, filmes e séries e que cantam, dançam e tiram café e também permitem jogar, é “só” uma consola de videojogos.

Este é um dos pontos que separa a Switch das que seriam (e provavelmente irão ser) vistas por muitos como concorrentes das marcas Sony e Microsoft, contudo podemos colocar de lado essa comparação porque, parafraseando o meu colega Ricardo aqui no Rubber Chicken, seria o mesmo que comparar as características de um monovolume familiar com as de um carro desportivo.

A Switch não tem competição porque não está na mesma divisão que as outras. Nem quer estar. Nem sequer é uma questão de divisão, são modalidades diferentes do mesmo desporto.

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Além de ser “apenas” uma consola, a Nintendo Switch tem outro aspeto que a torna única. É um sistema híbrido perfeitamente adequado para o ambiente familiar. Num mundo em que a interação entre jogadores é maioritariamente feita através da Internet, o foco no contacto pessoal, no estar lado a lado ou até frente a frente é quase inovador nesta cultura que se foi tornando cada vez mais impessoal. É um regresso ao passado não muito distante, mas há muito esquecido.

O seu ecrã táctil de 23.9cm por 10.2cm não é maior que a maior parte dos tablets de 8 polegadas e o peso inferior a 300g (sem os comandos JoyCon, e pouco mais pesado com eles) tornam a Switch leve e manejável pela maioria das crianças e adultos. Pode ser jogada como uma peça ou apoiando-a numa superfície com o seu descanso incorporado ou até se preferirmos na TV ligando-a através da docking station, passando a definição de 720p para 1080p sempre em HD (dependendo do aparelho a que a ligamos).

Os comandos podem ser usados em separado ou utilizando a peça incluída no pack que os une, formando um comando mais tradicional. Tive as minhas questões aquando do seu anúncio, enquanto ao mesmo tempo pensava que era uma ideia brilhante, também tinha sérias dúvidas se iria funcionar. Peças móveis a mais, muitos encaixes seriam receitas para um possível desastre.

Contudo, depois de a ter nas mãos e ter passado horas a jogar em vários dos seus modos, posso dizer que é tão sólida como qualquer outra consola de peça única que tenha lá em casa, incluindo a minha NES original. Mas tudo isso são apenas peças mecânicas. Assim como outras definições técnicas como velocidades de processamento e outras, são apenas componentes que fazem parte da Nintendo Switch, mas não são a Switch.

Acredito que a Switch é mais que uma consola, é um conceito, é uma ideia, é aquilo que a Nintendo fez de melhor sob a orientação de Satoru Iwata. A Nintendo sempre soube agarrar em tudo o que já fez e testou, tudo o que existe isoladamente que não é criação sua e combinar todos esses componentes aperfeiçoando-os e tornando-os em algo maior que a soma das suas partes.

Tenho perfeita consciência que muitas vozes se vão levantar acusando-me de fanboyismo, de ter uma espécie de fanatismo clubístico mas mesmo que fosse de outra marca, teria a mesma opinião: não há nada no mercado como a Switch. Não é portátil nem é caseira. É para ser jogada a solo, mas não é para um jogador apenas. É para quem leva jogos a sério e para quem gosta apenas de jogar de vez em quando para se distrair. E sim, provavelmente tem as suas falhas e toda a gente terá algo para a criticar, se quiserem procurar por esses pormenores mas até agora não os vi, e garanto que procurei por eles.

Muitos irão achar que esta consola é a edição mais recente da longa linha de portáteis da Grande N, outros como um seguimento e redesign dos conceitos da Wii U. Ambos estão certos, porque ela é isso mesmo, uma combinação e evolução de tudo o que a Nintendo fez até hoje. E é o que quisermos fazer dela. Quem nunca quiser separar os comandos do ecrã e ter uma portátil pura, pode. Quem quiser jogar só na TV também. Os pais (e filhos) que gostam de jogar na TV não têm que desligar o jogo quando alguém quer ver algo lá, quem joga no modo portátil pode colocar o suporte em cima de uma mesa ou passar a imagem para a TV para pedir ajuda com um puzzle ou mostrar como se derrota um boss épico. A interatividade que ela permite é gigante e exageradamente distante das outras opções no mercado

A Nintendo sempre focou as suas produções na interatividade, não só de sujeito e jogo mas também entre jogadores, da maneira mais pessoal possível. A NES tinha jogos para serem desfrutados de dois a quatro jogadores assim como a N64 e a GameCube. O Gameboy e todos os seus descendentes permitiam, com mais ou menos acessórios, “ligar pessoas” através de jogos e a Wii permitiu que qualquer pessoa dos 8 aos 80 anos de idade pudesse tirar prazer de um videojogo, por mais “casual” que fosse.

O preço inicial da Switch pode fazer com que ponderem a compra, como é normal fazer com qualquer novo equipamento, especialmente quando é um produto tão inovador ou diferente, mas com uma linha de lançamento que inclui entre outros 1-2-Switch, I Am Setsuna, Snipperclips, Super Bomberman R, e acima de tudo um potencial jogo do ano como The Legend of Zelda: Breath of the Wild, além dos quase 70 jogos para juntar à lista até ao final do ano fazem dela uma aposta segura para qualquer fã da marca e até para quem não o é.

O seu lançamento esta sexta-feira, 3 de março, é dos momentos mais esperados do ano para as comunidades de jogadores, amando ou detestando a marca, todos os olhos estão postos na empresa sediada em Kyoto, cujos rumores da sua morte antecipada foram tantas vezes exagerados.

A nota final é esta: A Nintendo era apenas um dragão adormecido, que está de volta à forma dos dias de glória com uma das consolas mais brilhantes e inovadoras criada nas últimas décadas.

João Machado, Rubber Chicken