A Plateia — Associação de Profissionais das Artes Cénicas anunciou, esta quinta-feira, ter chegado a acordo com a Câmara Municipal do Porto, depois de um diferendo de dez anos devido à cedência do Teatro Rivoli.

Recordamos que esta situação reporta às diversas ações, e respetivas providências cautelares, que a Plateia moveu contra a autarquia, opondo-se sistematicamente aos diversos formatos que assumiu a cedência do Rivoli Teatro Municipal ao empresário Filipe La Féria”, disse a associação, em comunicado enviado à Lusa.

Em causa estava a adjudicação da gestão do Rivoli à empresa do encenador Filipe La Féria, Todos ao Palco, celebrada em 2006, sob a liderança do ex-presidente da câmara Rui Rio, que a Plateia considerou “pouco clara”.

A via judicial tinha também um profundo sentido político, o da oposição frontal ao abandono de um programa de serviço público associado ao teatro municipal. Por isso, com a mudança de executivo municipal a ação judicial perdeu tanto o seu efeito útil como o seu contexto político”, referiu a Plateia.

A associação saudou a normalização das relações com o município e agradeceu a todos os profissionais e companhias de teatro e dança que apoiaram e suportaram os custos destes processos judiciais.

Em declarações à agência Lusa, um dos membros da direção, Jorge Palinhos, explicou que chegaram a acordo porque “já não havia assunto” para continuar com os processos judiciais.

Neste momento, não fazia sentido este litígio porque a companhia Todos ao Palco já não existe, está em processo de insolvência, e a autarquia mudou e o novo poder autárquico tem uma postura diferente em relação a todo o processo”, considerou.

Jorge Palinhos sustentou que o novo executivo municipal é “mais transparente” e tem uma maior relação com os agentes culturais da cidade, ao contrário do que acontecia com o anterior.

A Plateia agrega cerca de 80 profissionais e 20 estruturas do Norte, maioritariamente da Área Metropolitana do Porto, das áreas do teatro e dança, afirmando-se como uma plataforma de discussão e intervenção acerca das políticas culturais, nomeadamente para as artes performativas, aos níveis local, regional, nacional e europeu.