A ONU está a considerar novas medidas para erradicar o aumento dos casos de abuso sexual perpetrados por funcionários das missões de paz, incluindo a redução dos apoios aos países de origem dos autores dos abusos.

Segundo um relatório divulgado esta quinta feira pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, o número de casos de exploração ou abuso sexual que envolvem as forças de paz e funcionários civis das missões das Nações Unidas aumentou para 145 em 2016, contra os 99 registados em 2015.

Aquele aumento, refere o relatório, é explicado pelo facto de as vítimas terem deixado de ficar em silêncio.

No documento, António Guterres sugere a retenção do financiamento previsto para o país que não investigar as acusações contra os seus nacionais.

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O apoio seria redirecionado para um fundo da vítima.

As autoridades da ONU afirmaram, em conferência de imprensa, que 49.000 dólares (46 mil euros) já foram transferidos para um fundo daquela natureza.

Em 2016 e 2015, vários “capacetes azuis” foram acusados de abusos sexuais, estando a maior parte dos casos concentrados na República Democrática do Congo e na República Centro Africana, mas também há registo de casos no Haiti e no Sudão do Sul.

António Guterres, que assumiu o comando da ONU em janeiro, reconheceu que a organização “continua a enfrentar o flagelo do abuso sexual, apesar dos esforços significativos feitos durante vários anos”.

Segundo as regras da ONU, cabe a cada país investigar e punir os nacionais envolvidos em exploração e abuso sexual.

No relatório, António Guterres pede a nomeação de um perito ‘ad hoc’ especialista em direitos humanos para defender os direitos das vítimas, que reporte diretamente ao secretário-geral da ONU, e de um advogado para as vítimas.

Outra proposta é a criação de uma equipa de investigação para analisar melhor as acusações.