Margarete W. foi pontapeada por agentes da Schutzstaffel, a organização paramilitar da Alemanha nazi, e empurrada para dentro de um comboio. Outras mulheres entraram em camiões. Uns quilómetros adiante estava a entrar dentro de um campo de concentração nazi, mas não a levaram para o mesmo edifício dos outros prisioneiros. Parou em frente a um prédio semelhante a um quartel com uma vedação de madeira. Aos 25 anos, acabava de se tornar uma escrava sexual no campo de concentração de Ravensbrück.

A ideia foi de Heinrich Himmler, um dos nomes mais importantes do regime nazi, como explicou Robert Sommer num livro lançado em 2009. Braço direito de Hitler, o comandante convenceu o fürher a abrir bordéis nos campos de concentração para onde iriam escravas sexuais recrutadas em vários países controlados pela Alemanha. Essas escravas eram distribuídas por campos e depois eram abusadas por militares e por alguns prisioneiros selecionados.

Os primeiros bordéis abriram em 1942 e, ao longo de três anos, surgiram mais nove “casas especiais”, como chamavam àqueles edifícios. Durante esse tempo, os prisioneiros que obedeciam aos militares eram recompensados com cargas menores de trabalho, mais comida, remuneração ou sexo num destes bordéis. Era assim que Heinrich Himmler pensava aumentar a produtividade dos homens nos campos de concentração.

Esta era uma realidade em campos de concentração como Auschwitz ou Dachau. As mulheres, judias sobretudo, mas que também podiam ser alemãs que ajudaram judeus ou tropas inimigas do país, eram obrigadas a prostituírem-se com dezenas de homens por dia, às vezes ao longo de até 22 horas. Aos homens a quem era permitido entrar nos bordéis — os judeus, por exemplo, estavam proibidos de visitar as escravas –, quinze minutos com uma prostituta custavam 2 marcos. Era ainda mais barato do que comprar cigarros. E só havia uma regra: a única posição sexual permitida era a de missionário. Se engravidassem, tinham de fazer um aborto.

Mas estas não eram as únicas mulheres obrigadas a prostituírem-se durante a II Guerra Mundial. Algumas eram obrigadas a satisfazer os militares que estavam longe das famílias nas frentes de guerra: eram as “mulheres de conforto”.

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