A garantia é de Eugénio Rosa, vogal do conselho geral e de supervisão do Montepio, ao jornal i: estão investidos cerca de 3500 milhões de euros em produtos de risco da associação mutualista. Ao contrário dos tradicionais depósitos a prazo, parte do investimento está canalizado em produtos mutualistas e, portanto, não salvaguardados pelo Fundo de Garantia — este fundo protege apenas aplicações até cem mil euros por depositante. Outra parte dos 3500 milhões de euros está investida em produtos de capitalização.

Em caso de falência, e face à ausência de salvaguarda por parte do supracitado Fundo de Garantia, os clientes têm de ser reembolsados pelas reservas da associação. Mas Eugénio Rosa, que concorreu à liderança da associação em 2015 e perdeu, teme que “um dia” essas reservas não existam. “O problema da Associação Mutualista não é ter reservas; é saber como é que elas estão a ser aplicadas. Se estiverem a ser mal aplicadas pode haver um dia em que não há reservas nem o capital investido pelos mutalistas”, acrescenta, concluindo depois: “Além disso, é preciso que essas reservas deem rendimento e muitas delas não estão a dar.”

Ao contrário do que é garantido pelo presidente da Associação Mutualista, Tomás Correia, o vogal Eugénio Rosa desconfia da solidez financeira do Montepio. E explica: “Durante mais de um ano andou [Tomás Correia] a recusar-se a disponibilizar as contas consolidadas da associação. É preciso ter acesso às contas para que os associados tenham uma ideia verdadeira da situação da associação mutualista. Só agora, com muita pressão, é que cedeu e disponibilizou as contas consolidadas de 2015. Mas falta ainda saber a situação do ano passado — e acredito que ainda deve ser pior.”

Eugénio Rosa é ainda, nas declarações ao i, crítico do papel do Ministério do Trabalho e Segurança Social, o qual acusa de não ter tido a intervenção que deveria, caso contrário o Montepio “não teria chegado a esta situação”. “O papel da tutela é controlar este investimento de 3500 milhões de euros e ver como é que esse valor está a ser aplicado.

A solução? Segundo Eugénio Rosa, passar a supervisão do Montepio do Ministério do Trabalho e Segurança Social para a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões, o que trará regras mais rígidas. “Não permitem investir em empresas do grupo ou se permitirem não pode ser mais do que uma percentagem para evitar correr este tipo de riscos. Porque quando mais diversificado for maior é a segurança”, explicou ao i o vogal do conselho geral e de supervisão do Montepio.