Não há Passos Coelho, há Paulo Rangel para atacar a “geringonça” no Congresso da direita europeia. O vice-presidente do PPE respondeu a todas as perguntas sobre Europa, mas não fugiu à política nacional, atacando a esquerda em todas as frentes. Em declarações ao Observador — à margem do Congresso do Partido Popular Europeu, que decorre esta quarta e quinta-feira em Malta — Paulo Rangel considera que “em Portugal os mass media são muito sensíveis à máquina de propaganda socialista” e que , por isso, o país governado por Costa caminha para uma “claustrofobia à Sócrates.

O eurodeputado do PSD deixa um aviso: “2017 rima com 2007. Se se olhar para o que era Portugal em 2007 e para aquilo em que se tornou em 2008, talvez se tenha uma noção clara” do que irá acontecer se Costa continuar a governar. A repetição da História, no entender do social-democrata, não é de estranhar já que “os protagonistas são os mesmos: António Costa está no Governo, Vieira da Silva e Santos Silva também, já para não falar no leque de secretários de Estado que entretanto foram promovidos a ministros. São os mesmos protagonistas. E, portanto, é natural que as políticas sejam as mesmas.”

Paulo Rangel não poupa Mário Centeno. O eurodeputado admite que seja um socialista o presidente do Eurogrupo, para “o equilíbrio de cargos nas instituições comunitárias”, mas não o português:

Mário Centeno pelos resultados que tem pela dívida pública não será o mais credível dos presidentes do Eurogrupo. Era capaz de criar alguma agitação nos mercados. Os seus resultados não são famosos, ao contrário da propaganda que o Governo socialista e os seus aliados de esquerda radical pretendem fazer crer.

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No entender de Paulo Rangel, “basta olhar para a dívida portuguesa, como ela cresceu, para perceber que há claras manobras de ilusão à volta dos resultados que são apresentar. Basta ver que Portugal foi o único país da zona euro que teve uma evolução amplamente negativa na sua relação com a dívida alemã ao longo de 2016. Apesar destas críticas, Rangel elogia o esforço do Governo ao atingir o défice de 2,1%, mas lamenta que “tenha sido conseguido de uma maneira que não é sustentável.”

Quanto aos partidos que apoiam o Governo PS, Paulo Rangel volta a ser muito duro, dizendo que “a esquerda radical é igual à direita radical”, já que “não gostam da democracia liberal, não gostam da Europa, não gostam da Zona Euro”. Para o social-democrata PCP e Bloco de Esquerda têm como objetivo “transformar Portugal na Venezuela” e adverte que “no Parlamento Europeu, se forem analisados os votos, na maioria das situações, o PCP e o BE votam ao lado da senhora Le Pen. Portanto, isto é uma coisa que é reveladora de qual é a intenção destes partidos.”

Passos Coelho esteve para discursar esta quarta-feira no Congresso do PPE, mas, por “razões pessoais”, não pode deslocar-se a Malta. Além dos eurodeputados do PSD, estão presentes na reunião dos democratas-cristãos europeus outras figuras do PSD, como o vice-presidente da bancada do PSD, Miguel Morgado e o presidente do Gabinete de Estudos, Carlos Costa Neves. Não há nenhum elemento da direção do partido no Congresso.