O Japão está a criar “edifícios descartáveis” como resposta aos desastres naturais habituais no país. Essas casas podem ser derrubadas e construídas de novo em caso de terramoto, tsunami, tempestade de neve ou ataque nuclear. Com esta tecnologia, explica à CNN a urbanista Sarah Ichioka, não é necessário renovar, reutilizar ou remodelar uma casa destruída: simplesmente montar uma nova a partir do zero.

A técnica, inovadora no ramo da arquitetura, surge num país com 11 vezes mais arquitetos per capita do que o Canadá, cinco vezes mais do que o Reino Unido e sete vezes mais do que os Estados Unidos da América.

Crédito: Barbican

É na Barbarian Art Gallery, Londres, que pode ser vista, até 25 de junho, a exposição que contou com a ajuda de 40 arquitetos japoneses e que mostra esta realidade inovadora. Com o lema: “A casa japonesa: arquitetura e vida depois de 1945”, a exposição olha para a arquitetura do Japão desde o pós-guerra até aos dias atuais.

“A base da exposição está na Segunda Guerra Mundial”, explicou um dos responsáveis da exposição, Florence Ostende. “Este foi o momento crucial para que todos os arquitetos repensassem na forma de construir e na própria forma de viver, porque enfrentaram o enorme trauma de perder a guerra e ter que reconstruir um país inteiro. 40% de Tóquio foi bombardeado”, concluiu Florence.

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Depois da Guerra, Tóquio reergueu-se e a cidade mudou radicalmente: “Em Tóquio, não existem regras sobre a aparência das casas, simplesmente não existe nenhuma regulamentação estética. Os arquitetos são livres para inventar a forma como querem construir”, explicou Florence.

A exposição é composta por 10 pequenas casas situadas à volta de um jardim. Segundo explicou Florence, o interior e o exterior de uma casa já não são algo separado. Existe um casamento harmonioso entre a casa e a natureza que a rodeia. “Esta qualidade de intercalar o exterior com o interior foi uma coisa que os arquitetos, a partir da década de 1990, começaram a adotar”, disse ainda o responsável, acrescentando que “a natureza, o clima, os organismos e os animais têm reação para com a casa, que não é algo isolado do exterior”, concluiu.

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Tal como defende o The Guardian, todos os elementos existentes na exposição criam um ambiente que, mais do que sugestivo, é também explicativo da própria cultura arquitetónica do Japão.

Veja na fotogaleria alguns exemplos que podem ser vistos na exposição de Londres.