Mahmoud Ahmadinejad, ex-presidente iraniano, esteve no Ministério do Interior no dia em que abriram as candidaturas para a presidência do país, apesar de ter dito que tinha ido apenas para acompanhar o seu vice-presidente Hamid Baghaei. A suspeita ,contudo, é que Ahmadinejad tenha intenção de se candidatar às eleições presidenciais de 19 de maio, apesar de ter sido avisado pelo Líder Supremo do Irão, aiatolá Ali Khamenei que não o devia fazer porque isso “não é do seu interesse nem no do seu povo”. Mais de 100 pessoas, incluindo mulheres, entregaram candidaturas esta segunda-feira, escreve a BBC.

Mas Ahmadinejad, que governou com punho-de-ferro o Irão de 2005 a 2013, disse que as palavras do aiatolá não passaram de “um conselho”. Os jornalistas que testemunharam este ato inesperado escreveram que os funcionários do Ministério ficaram “completamente espantados” quando viram Ahmadinejad a entregar os papéis da candidatura, até porque Hassan Rouhani, o atual presidente que é considerado mais moderado e não adotou a mesma posição de confronto contra o ocidente que tinha sido comum com Ahmadinejad, ainda não entregou os seus apesar de ser muito possível que o venha a fazer em breve.

“Eu apenas vim registar o meu apoio por Baghaei e agirei de acordo como o que o líder supremo disser mas servirei Baghaei com todos os meus poderes. Alguns dizem que o conselho do líder quer dizer que estou proibido de concorrer mas foi apenas um conselho, e eu estou comprometido com os meus deveres morais”, disse Ahmadinejad. O possível regresso do ex-presidente à cena política pode prejudicar o atual presidente uma vez que a população ainda está longe de sentir os bons ventos económicos prometidos por Khamenei depois de ter assinado com os Estados Unidos um acordo de redução da capacidade nuclear.

A reeleição de Ahmadinejad em 2009 mergulhou o Irão numa onda de protestos contra as políticas conservadoras do ex-presidente e a favor de Mir-Hossein Mousavi, o candidato que na sua campanha utilizou a cor verde, dando o nome de Revolução Verde aos protestos que duraram quase um ano. Os manifestantes acreditam que a eleição de Ahmadinejad foi “construida” dado que as sondagens indicavam uma clara vitória de Mousavi.

Quem decide a lista final de candidatos é o um conjunto de clérigos, encabeçada pelo líder supremo. Os nomes deverão ser conhecidos dia 27 de abril.