100% português

Pallas, as malas portuguesas que são uma espécie de canivete suíço

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Para pôr à cintura, com suspensórios, à tiracolo ou em modo "clutch". Na Pallas há malas para todos os estilos. A última coleção da marca portuguesa traz a geometria e as cores de uma tribo do Panamá.

Autor
  • Raquel Salgueira Póvoas

Chama-se Pallas, é uma marca de malas (e agora também de botas de verão) e é 100% portuguesa. Contudo, a sua história começa com sotaque espanhol.

Que preciosas, donde puedo encontrarlas?”. Este foi um dos elogios, em forma de pergunta, que Carolina Palla Neves, 35 anos, arquiteta, recebeu enquanto usava uma das malas que criou, durante as suas férias por Ibiza. Acostumada a fazer acessórios e bolsas desde pequena, foi nesse momento, com o feedback recebido por outras mulheres, que decidiu: “É altura de criar uma marca e passar a fazer malas para outras pessoas”.

Em 2014 surgiu a Pallas e a história que começou em Ibiza, aí permaneceu. Embora a produção tenha sido desde sempre feita com materiais portugueses e em Portugal, a venda começou por acontecer nessa ilha, em lojas rendidas às malas preciosas. Mas o passo seguinte foi rápido: criar a loja online, encontrar uma fábrica e vender em território luso.

Este modelo, mais urbano, custa 95€. © Divulgação

De 2014 até hoje, Carolina é quem idealiza, desenha, escolhe os materiais e monta cada mala, deixando apenas a produção final para uma fábrica portuguesa. Há peças que tanto dão para usar à cintura como ao ombro, no trabalho ou num cocktail, de um lado ou outro, por serem reversíveis. Uma questão de inspiração.

As ideias partem, sobretudo, daquelas que são também as minhas necessidades. Quando penso nas malas e nas peças, penso, por exemplo, que durante o dia estou a trabalhar mas se for a um jantar vou querer usar a mesma mala”, conta ao Observador a arquiteta de 35 anos. “Esta ideia permanece para as restantes. Quando fiz as malas de pôr à cintura tinha sido mãe há pouco tempo e percebi a necessidade de ter aquele modelo, para ter os braços libertos. Contudo, precisava que fosse gira, que tivesse glamour, e assim surgiu a mala que pode ser posta à cintura mas também usada de outras formas.”

A Kugu pode ser usada à cintura ou ao ombro. Custa 99€. © Divulgação

As malas que cria são, por isso, para todas as ocasiões e para todos os estilos. Há quem as procure porque são boas para festivais, ao mesmo tempo que são práticas para o dia a dia. Uma versatilidade que explica que não haja um público-alvo.

“Tanto tenho clientes dos 20 aos 30 anos, como tenho dos 40 aos 60”, diz Carolina. “Qualquer pessoa, de qualquer idade e com estilos completamente diferentes, identifica-se com alguma das peças.”

As deste verão foram lançadas recentemente e com uma história que, à semelhança do início, começa também numas férias além-fronteiras.

“Em 2016 marquei uma viagem para o Panamá mas, como não consigo estar só de férias, comecei a investigar a cultura e o artesanato local. Encontrei a tribo Kuna Yala e a história das suas mulheres, as Kuna. Li bastante sobre elas. Quando cheguei tinha muita vontade de conhecê-las, e assim foi”, conta Carolina Palla Neves.

A arquiteta esteve uma semana com as mulheres pertencentes à comunidade indígena do arquipélago de San Blas. Conheceu-as não só a elas mas também ao seu trabalho: o fabrico de tecidos Mola, um termo que significa blusa ou camisa. E de repente não havia dúvidas: esses tecidos iriam dar origem a uma coleção da Pallas.

Carolina Palla Neves com a comunidade indígena do arquipélago de San Blas, Kuna Yala, no Panamá. © Divulgação

A Molas Special Edition tomou forma já em solo português e é, como o nome indica, uma coleção-cápsula de edição limitada que transportou os padrões labirínticos dos tecidos indígenas para 10 clutches diferentes.

Os tecidos são iguais de frente e de costas. São feitos com desenhos geométricos e mais recentemente com padrões tropicais. Para a conceção das malas, optei pelos geométricos. Acho-os mais interessantes e são os que têm mais simbologia, já que foram os primeiros desenhos a serem criados. Antes das blusas, as mulheres pintavam o corpo com estas formas geométricas, só depois começaram a fazer os tecidos”, explica a responsável da marca.

Para além dos padrões originais, os tecidos têm a particularidade de serem feitos por layers, ou seja, são sobrepostos por camadas. Cada cor de tecido é recortada e depois cosida entre si, tudo à mão. Desta forma, têm relevo e textura e resultam num efeito tridimensional.

“O objetivo foi atribuir maior riqueza às peças através da dimensão de cada tecido e optar por não cortar o tecido e os desenhos, deixando percetível a geometria de cada um e das suas camadas de cor. Todas as clutches têm ainda uma alça em pele, sendo todas elas diferentes e com um jogo de cores que contrasta e encontra o tom das Molas”, diz Carolina.

Para esta estação, outra das novidades da marca é a coleção de botas de verão, cheias de pormenores recortados e que deixam ver o pé (e arejá-lo). Uma ideia de há muito que começou agora a dar os primeiros passos e que é inspirada noutro destino além-fronteiras: a Grécia.

Nome: Pallas
Pontos de venda: Loja online , Nude Fashion Store (coleção Molas), 39a Concept Store (botas e malas) e Un Croquis de Mode (botas e malas)
Preços: 25€ (porta moedas e colares); 70€ a 239€ (malas) e 139€ (botas)

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