É a primeira grande, grande transferência deste mercado. Houve uma grande, ontem, quando o Mónaco pagou cerca de 25 milhões de euros por Youri Tielemans, uma das maiores promessas do futebol belga que jogava no Anderlecht. Hoje, o Mónaco passou de comprador a vendedor e passou Bernardo Silva, uma das maiores promessas nacionais, para o Manchester City. O Messizinho do Seixal, como era conhecido na formação do Benfica por causa do ídolo e ex-treinador Chalana, cumpre o sonho de atuar na Premier League mas chega a peso de ouro: 50 a 60 milhões (mais uns quantos, que podem ir até 20, em objetivos). Porquê?

Ser um dos expoentes máximos da equipa que mais impressionou a Europa este ano, como aconteceu com o conjunto de Leonardo Jardim (campeão e semi-finalista da Champions), ajuda. Ser agenciado por Jorge Mendes, também. Mas há algo mais neste médio ofensivo de 22 anos que acaba de ser a terceira maior transferência de sempre de um jogador português, ficando apenas atrás de Figo (e até pode ultrapassar, se bater a barreira dos 60 milhões) e Cristiano Ronaldo: Bernardo é puro, literalmente, da cabeça aos pés.

Benfiquista ferrenho, daqueles que ia ao estádio nos jogos fora ver a formação principal quando estava na equipa B, o canhoto fez toda a formação nas águias, sagrando-se campeão nacional em iniciados e juniores. Mas o que ele gostava mesmo era de ser apanha-bolas nas partidas dos seniores e foi nessa posição privilegiada que assistiu ao regresso do ídolo Rui Costa à Luz. Quando chegou à equipa B, pegou de estaca, foi eleito o melhor jogador da Segunda Liga mas percebia que não iria vingar no conjunto principal, onde fez três jogos.

Fez dez minutos num jogo da Taça de Portugal frente ao Cinfães, jogou 13 minutos numa partida da Taça da Liga com o Gil Vicente, sagrou-se campeão com oito minutos na última jornada no Dragão, com o FC Porto.

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Bernardo até tem o lema do Benfica tatuado no braço. E sempre foi idolatrado mesmo quando ainda era um miúdo a jogar no Caixa Futebol Campus. Era um miúdo diferente, de uma família sem dificuldades, que chegou a frequentar a Faculdade de Letras no curso de Estudos Europeus. Era um miúdo diferente, que começou a estudar no Colégio Valsassina e que gosta de ouvir jazz. Mas o que ele mais queria era jogar. E no Benfica. O que não conseguiu.

Em 2014/15, rumou ao Mónaco por empréstimo, onde esteve até agora. Os monegascos pagariam 15,7 milhões pelo seu passe. Muitos acharam um exagero, hoje percebe-se que até foi pouco. Realizou 147 jogos, marcou 28 golos. Mas apenas esta temporada, onde apontou 11 golos em 58 encontros, teve direito a alcunha: o Principezinho.

Entre fevereiro e março, defrontou o Manchester City nos quartos-de-final da Champions. No final do jogo, Pep Guardiola deu-lhe os parabéns pelo jogo, pela temporada. Agora, está a dar-lhe os parabéns por se ter juntado ao seu plantel do Manchester City. Bernardo Silva tem um toque de Midas que já escasseia no futebol atual: a ginga de finta, o pensar mais rápido, o colar a bola no pé enquanto ultrapassa os adversários. Tem aquele cheiro de futebol de rua que com o tempo se foi perdendo. E que não passou ao lado do treinador que orientou Lionel Messi.

Bernardo Silva interrompeu as férias em Marbella antes de juntar-se à Seleção para ir a Manchester fazer exames médicos e assinar contrato por cinco anos. Foram as melhores férias da vida de Bernardo Silva.

“É uma grande sensação. Para ser sincero, hoje estou numa das melhores equipas do mundo. Fazer parte deste clube e ter esta oportunidade é fantástico, estou muito feliz. Estou ansioso e vou dar o máximo para ajudar o Manchester City a atingir os seus objetivos. O que me levou a optar pelo City? Em primeiro lugar, o projeto. Nos últimos anos joga para ganhar títulos e é isso que quero, com grandes jogadores, treinador e adeptos a ajudarem nisso. Pep Guardiola é um dos melhores treinadores do mundo e quando se tem a oportunidade de trabalhar com ele não se diz que não. O que fez no Barcelona e no Bayern foi fantástico e esperemos que também ganhe aqui“, comentou aos canais oficiais dos citizens após a assinatura do contrato e as primeiras fotografias com a camisola número 20.