O Conservatório de Música do Porto, fundado a 1 de junho de 1917, comemora este ano o centenário com mais de cem eventos durante todo o ano, entre concertos, festivais e visitas guiadas às antigas instalações.

O centenário é “uma grande festa”, apontou à agência Lusa o diretor da instituição, António Moreira Jorge, que destaca a próxima quarta-feira, dia que assinala a data da fundação da instituição, como ponto alto, com uma visita guiada pelas três casas do Conservatório, além do concerto na Casa da Música, com a Academia Coral da escola a juntar-se à Orquestra do Norte, para interpretar a “Missa Solene de Santa Cecília”, de Charles Gonoud.

A visita guiada às antigas instalações, o Palacete dos Viscondes de Vilarinho de São Romão, onde estiveram até 1974, e o Palacete Pinto Leite, até 2008, além da atual morada, repete-se a 07 e 14 de outubro, integrada numa das ações de evocação da memória da instituição, que tem na biblioteca uma exposição de cem objetos ligados à sua história.

Um concerto comemorativo da inauguração, a 9 de dezembro, na Casa da Música, é outra das atividades.

Entre os destaques da programação, que arrancou em dezembro do ano passado, insere-se ainda a segunda edição do PianoPorto, uma maratona de 24 horas de piano que o Conservatório organiza com o apoio da autarquia e que se espalha por toda a cidade, do Auditório da escola à estação ferroviária de São Bento, a museus e à Câmara Municipal, entre outros locais.

Toda a comunidade escolar está envolvida nas comemorações, seja como intérprete numa das orquestras, no coro ou como solista, mas também na participação em eventos que se querem abertos à cidade, que “deve comparecer em massa”, explicou à Lusa o professor de clarinete Ricardo Alves.

Em ensaios para uma das atividades de final de ano letivo, integrada também nas comemorações, Catarina Moniz, aluna de piano de 14 anos, explica que participar nos cem anos da instituição a deixa “muito honrada”.

“Gosto muito do Conservatório. É uma escola calma, todos são amigos uns dos outros”, contou a aluna, que se inscreveu no primeiro ano do ensino primário e beneficiou das vantagens de “estar num ambiente musical e passar pelos corredores e ouvir pessoas a tocar”.

No oitavo ano, Catarina vê como “muito importante” fazer chegar “a música a toda a gente”.

“Perceber música, perceber o que se ouve e quem são os compositores, é muito bom. A música é uma coisa muito bonita, e quanto mais a percebermos mais a conseguimos apreciar”, apontou a jovem aluna.

A educação artística, defende Moreira Jorge, “devia ser para todos e da forma mais alargada possível”, para que permitisse ao ensino artístico especializado “preparar e dar ferramentas àqueles que, passando pela educação artística, demonstrem capacidades e vontades”.

“É fundamental. É pena que em Portugal tenha caído um bocadinho. Estamos numa fase em que é necessário definir o que é educação artística”, acrescentou.

A professora de saxofone Rosa Oliveira considera o ensino musical necessário na formação dos jovens, por tornar o “cérebro mais organizado” e melhorar “em termos de concentração, no respeito pelo colega e pelos outros”, valores que ultrapassam a formação musical e que “se levam para a vida”.

Uma opinião corroborada por Ricardo Alves, que pensa que a música “deve ser cada vez mais valorizada” no currículo escolar, por ter “uma influência muito grande no desenvolvimento das crianças”.