Em apenas um ano contabilizaram-se na União Europeia 142 ocorrências relacionadas com o terrorismo, onde se inclui ataques concretizados e outros que foram anulados pela ação das autoridades. Ainda assim, destes ataques registados em 2016 resultaram 142 vítimas mortais e 379 feridos.

De acordo com um relatório da Europol — EU Terrorism Situation & Trend Report (Te-Sat), as autoridades nacionais promoveram a detenção de 1002 pessoas no espaço comunitário.

Embora tenha sido registado um grande número de ataques não relacionados com o terrorismo islâmico, os indicadores demonstram que estes são os mais graves e letais. Das 142 mortes em ataques terroristas, 135 foram na sequência de ataques jihadistas. Além disso, a maioria das detenções está relacionada com o terrorismo islâmico, que aumentou pelo terceiro ano consecutivo:

  • foram 395 em 2014;
  • 687 em 2015;
  • e agora 718 em 2016.

A idade dos terroristas também parece ser cada vez mais baixa. Quase um terço dos detidos por ligações ao terrorismo (291 de 1002) tinha 25 anos ou menos.

Outro dos dados do relatório da Europol — apesar de o modus operandi ter passado a incluir atropelamentos e esfaqueamentos — é que foram utilizados explosivos em 40% dos ataques. Isto porque, acredita a Europol, têm um grande impacto, não só no dano provocado diretamente, como simbólico: promovem a propagação do medo.

A Europol regista ainda uma tendência preocupante, de uso de dispositivos mais sofisticados, como os drones, que já são utilizados no conflito da Síria — o que pode inspirar a utilização na União Europeia.

O mesmo estudo diz que”40% das células terroristas na Europa são financiadas, pelo menos em parte, através da criminalidade, especialmente tráfico de drogas, roubo, contrafacção ou fraude.

Mais mulheres, menores e jovens adultos

O relatório da instituição que promove a coordenação das forças de segurança europeias revela que as mulheres assumem cada vez mais papéis operacionais nas atividades de terrorismo jihadista. Um em cada quatro (26%) dos detitos em 2016 eram mulheres, um aumento significativo em relação a 2015 (18%).

O mesmo incremento verificou-se com menores e jovens adultos.

Mais de metade dos ataques (e tentativas de ataque) terroristas reportados por países da União Europeia em 2016 ocorreram no Reino Unido. Só no Reino Unido foram reportadas 76 ocorrências, seguindo-se a França (23 ataques), Itália (17), Espanha (10), Grécia (6), Alemanha (5), Bélgica (4) e Holanda (1).

Quanto à tipologia do Terrorismo, a Europol fala em 99 ataques (ou tentativas de) relacionados com o terrorismo etno-nacionalista e separatista. O terrorismo de “esquerda e anarquista” aumentou em 2016 face ao ano anterior. No ano passado foram realizados 27 atentados e as autoridades do Estados-membros da UE prenderam 31 pessoas. A Itália, a Grécia e a Espanha foram os únicos Estados-Membros da UE onde foram registados ataques terroristas de esquerda e anarquistas.

A propaganda e as redes sociais

A Europol regista ainda que a propaganda online islâmica “diminuiu em 2016 devido a menores taxas de produção e à contenção da disseminação”. O mesmo documento aponta que “após um pico em meados de 2015, o número de novos vídeos produzidos pelo Estado islâmico diminuiu lentamente”. No segundo semestre de 2016, a frequência de novos lançamentos de conteúdos caiu ainda mais. À medida que o volume da propaganda do Estado islâmico diminuiu, a Al-Qaeda e suas afiliadas tentaram tirar proveito da situação e aumentar seus esforços para alcançar novas audiências.

Quanto às redes sociais em particular “os grupos jihadistas demonstraram uma compreensão sofisticada de como as redes sociais operam e lançaram campanhas bem organizadas para recrutar seguidores e promover ou glorificar atos de terrorismo e extremismo violento.”

Destes ataques resultaram 142 vítimas mortais e 379 feridos. O relatório mostra que, embora tenha existido um grande número de ataque terroristas não ligados ao jihadismo, esta corrente foi a responsável pelos ataques mais violentos, já que quase todas as vítimas mortais resultaram de ataques terroristas inspirados no jihadismo islâmico. O relatório diz que foram utilizados explosivos em 40% dos ataques e que mulheres, jovens adultos, e até crianças, desempenham papéis cada vez mais ativos e de forma independente no espaço comunitário.

Dimitris Avramopoulos, comissário da UE para as Migrações, Assuntos Internos e Cidadania considera que “os recentes ataques terroristas na Europa são um lembrete da necessidade de todos trabalharem de forma mais estreita e num espírito com confiança. A confiança é a base de uma cooperação eficaz.” Dimitrs Avramopoulos adverte que “a luta contra o terrorismo permanecerá no topo das prioridades políticas no futuro, não apenas na Europa, mas globalmente. Para a segurança dos cidadãos e para a coesão das sociedades, é preciso intensificar o troca de informações e a cooperação transfronteiriça a todos os níveis “.

Já o comissário de Segurança, Julian King, lembra que “no último ataque terrorista contra a London Bridge e o Borough Market, as vítimas tinham muitas nacionalidades.” E acrescenta: “Os terroristas não respeitam nem reconhecem as fronteiras e, a nossa determinação é vencê-los. E para isso devemos trabalhar juntos, partilhando informações e experiência. Somos mais fortes juntos “. O diretor executivo da Europol. Rob Wainwright, também alertou que “nunca antes a necessidade de partilha de informações se tinha tornado tão importante como tem sido últimos dois anos, com ataques terroristas jihadistas sem precedentes em toda a Europa que levaram a 135 mortos. Ao contrário do terrorismo separatista ou da maioria das manifestações do extremismo violento de direita e de esquerda, o terrorismo jihadista tem caráter internacional e, portanto, precisa de uma resposta internacional.”